Grilhões do Destino


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Cemitério central de Nova Iorque, 09 de outubro de 2002, 01:15 AM

    Em meio a névoa da madrugada, um homem de bigode e barbas imundas, vestindo roupas esfarrapadas e sujas corre desesperado entre os túmulos do cemitério central. Quase que caindo ele se encosta em uma pequena capela abandonada. Ofegante ele vê o velho e enferrujado portão do cemitério a cerca cinqüenta metros. Apenas mais uma corrida e estaria salvo do maior pânico que já sentiu em toda sua miserável vida.

    Na sua mente não conseguia entender porque foi levado até ali, que motivos levaria um homem a tortura-lo daquela forma e depois deixa-lo vivo. Talvez fosse um sádico maníaco interessado apenas em brincar com a vida de mendigos. Ou talvez não.

    Perante a fraca luz do único poste em funcionamento no cemitério, ele avista um homem bem vestido em um terno preto entrando pelo portão do Cemitério. Mesmo naquela escuridão o homem usava óculos escuros e parecia não se intimidar com o gótico aspecto do local.

    O medo volta a tomar conta do mendigo que se esconde atrás de uma tumba próxima. Correr não seria mais a solução. Antes que pudesse se ocultar por completo escuta do outro lado uma voz conhecida:

    - Tecnocracia... mais essa. Seria mesmo pedir demais não ter minha ressonância rastreada...

    O pânico volta a tomar conta de todo os seu corpo. Suas mãos suavam ao mesmo tempo que tremiam. Ele não sabia se "aquele" homem estava falando consigo, mas não conseguiu mover-se, apenas fechou os olhos e começou a rezar.

    Vários sons de tiros e ruídos fortes de vento começavam a vir da frente. Mas ele nada podia sentir o fazer. Estava paralisado pelo desespero. Tudo que conseguia escutar era as palavras citadas por aquele homem na ora do desespero. Elas entravam na sua cabeça repetindo mais e mais vezes:

    - Faça valer a pena, saia correndo daqui e a partir de hoje seja um homem melhor...

    Neste momento ele voltava a sentir a ânsia de liberdade que tomava conta de seu corpo quando estava preso dentro do caixão durante aquele "ritual" ou coisa parecida. Nunca sua vida havia passado tão volátilmente por suas mãos antes.

    Em meio a um surto ele toma coragem, levanta-se e corre em direção ao portão. Aqueles segundos parece anos. Mas antes que pudesse sair por completo do cemitério ele não resiste e olha para trás. Mesmo com seus olhos cheios de lágrimas consegue ver os buracos de bala estampados nas tumbas, o poste que antes mal conseguia iluminar o a zona central do cemitério, agora parecia queimado e com os fios arrebentados. De um lado aquele homem de preto caído com o rosto totalmente desfigurado, ele parecia ter sido queimado por algo muito forte. De outro, "aquele" homem, aquele que jamais sairia da sua mente, ele estava caído próximo ao homem preto. Ele sangrava muito e agonizava de dor devido a um grande ferimento em seu estômago. Talvez fosse uma bala. Talvez não...

    Algo dizia que ele devia volta a ajuda-lo. Mas a lembrança de dentro daquela tumba o fez vacilar. Porém na sua cabeça duvidas tomavam o lugar do medo: Seria um teste? Talvez esteja defrontando-se com algo maior do que podia imaginar. E o aquilo que lhe foi dito sobre ser melhor?

    A fraqueza em seu coração o fez vacilar, vagarosamente ele andou de costa baixando a cabeça. Virou-se e começou a correr. Correu, correu muito. Até que se atirou de joelhos e chorou sua fraqueza, ele se sentia fraco perante o medo. Agora ele tinha certeza: foi um teste e ele havia falhado. Ele sentia isso em seu coração. O destino havia lhe dado a oportunidade que ele tanto havia desejado e ele havia desperdiçado. Chorou em desespero, até que ouviu uma grossa e macabra voz:

    - O destino lhe reservou uma chance de mudar... você merece uma nova chance... em uma outra etapa da roda!

    - Os Eutanatos nunca deixam nada pendente...

local original: Page of Mirrors
nome original: Grilhões do Destino
autor(es): Leandro Luis Doss Damo
tradutor(es):

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