Amanhecer


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


A noite estava silenciosa, uma chuva fina caia lentamente, eles sabiam que sua idéia de fuga parecia absurda, mas tinham que tentar, não podiam ficar ali, a mercê do destino que lhes esperava, um destino cruel e eles sabiam disso.

A essas alturas eles já tinham esquecido suas divergências e opiniões. Agora todos eram um, todos unidos para fazer valer a pena pelo menos todo o trabalho, já que tinham chegado tão longe. A cidade estava completamente dominada, uns poucos escaparam ou pelo menos eles achavam que sim, mas diante da situação tinham suas duvidas.

Isabel olha desconfiada pela janela. Mais uma tentativa mal sucedida de Bart, seus passos já estavam a irritando, - Dá pra parar? Você já esta me deixando louca com isso, estou quase preferindo me entregar a ter que ficar ouvindo seus passos.

Ele tentaria uma escapada. Então mais uma vez pega seu laptop, a única coisa que pudera carregar com facilidade, e pronuncia algumas palavras, mas a única coisa que consegue é transportar-se para o outro lado do velho depósito para depois voltar correndo para junto de seus companheiros.

- Não consigo. Disse ele com uma voz ofegante.

- Não pode ser! Algo esta atrapalhando, eu poderia nos levar para o outro lado da cidade com facilidade, mas a única coisa que consigo é aparecer no final desse maldito galpão.

Antony não falava nada, gotas de suor escorriam pela sua testa, seus olhos fechados com força, sinal do imenso esforço que fazia. O tempo mudara, uma névoa densa tomou todo o interior do galpão, algumas lâmpadas e vitrais se partiram em pedaços, lá fora, onde antes uma fina chuva caía uma súbita tempestade estava se formando, agora pedaços de granizo destruíam tudo ao redor. De repente um imenso barulho toma toda a região e um clarão como se o sol surgisse e se escondesse rapidamente tomou os céus.

- Você acertou um dos malditos bem em cheio. Falou Isabel em um tom que se mesclava em entusiasmo e vingança. Bart correu e se escondeu em um pequeno cômodo, um pequeno banheiro, ele odiava tempestades e principalmente trovões, algo que conservara desde a infância, mas agora um raio nunca tinha lhe parecido mais oportuno. Alguns minutos de silêncio se passaram, podia-se ouvir apenas a chuva e as ultimas pedras de granizo que caíam.

De repente algo prateado quebra a janela, parecia uma pequena esfera de metal, um terrível e sufocante gás toma o lugar, e eles correm para o único esconderijo que conseguiram pensar.

O pequeno banheiro de Bart agora se transformara em um forte, um único lugar para a resistência final, não iriam se entregar, isso eles já tinham decidido, pela tela do laptop eles viam o que acontecia no galpão. Um único entrara. Eles desconfiaram a principio, mas depois perceberam que estavam sendo subestimados, mas já estavam cansados, a única em condições era Isabel, mas nas mentes de Bart e Antony eles se perguntavam o que ela realmente podia fazer, não tinha feito nada até agora, apenas correr e curar pequenos aranhões.

- Deixem o maldito comigo, eu pego o desgraçado.

Eles a olharam com espanto, como quando se é pego de surpresa com um susto.

-Você tá maluca, vai ser morta. Sussurrou Bart em um tom preocupado.

Mas isso não conteve Isabel, ela saiu sorrateiramente e então foi em direção ao seu destino, a ultima coisa que eles ouviram de Isabel foi uma espécie de canto, que mais parecia um lamento ou uma prece.
Eles acompanhavam tudo pela tela.

Ela agora se aproximara do inimigo, sem cautela alguma, como se nada a pudesse atingir, eles se encararam.

- Belo terno. Falou ela com seu velho tom irônico.

-Preto com preto... Bela cor para a noite.

Apenas o silêncio vem como resposta que logo e quebrado, eles vem a sua companheira cair ao chão com um grito abafado, Antony quase não se controla.

- Calma homem, não vai morrer em vão, eu também a vingaria se pudesse, mas agora temos que sobreviver, pelo menos por ela.

O rosto debochado do inimigo os deixava cada vez mais irados.

Mas eles estavam também confusos, nas suas mentes não entendiam porque ela tinha feito tamanha burrice.

O cerco estava se fechando, uma ultima ação agora parecia impossível, estavam muito cansados e abatidos para fazer alguma coisa, se algo desse errado agora, uma falha, e as conseqüências poderiam ser piores.

A porta se abre e uma figura sombria lhes aparece na frente. Ele sorri.

- Ora, ora, então vocês são os últimos da noite. Bem eu vou ser rápido quero voltar a tempo do café da manhã... Nada disso... Nem pensem em abrir a boca, agora levantem-se.

Tudo parecia terminar, mas algo estranho estava no ar. Um cheiro de Jasmim, Antony e Bart conheciam este perfume, era o mesmo que ficava no ar quando Isabel curava os ferimentos. Mas desta vez era diferente, era um cheiro mais forte, quase sufocante, eles olhavam estarrecidos para seu inimigo enquanto ele caia e se contorcia, como se algo o devorasse por dentro. Logo ele estava morto, os seus tinham ido embora com a certeza de que o serviço já estava feito, afinal eles já não tinham saída.

Eles olham novamente para a tela, mas algo estava diferente, o corpo de Isabel já não estava mais no lugar, o espanto é ainda maior quando ele surge em suas frentes, com um ar de cansaço no rosto, um buraco do tamanho de uma laranja em seu vestido e uma cicatriz que ia sumindo os poucos dando lugar a uma nova pele.

Não havia tempo para explicações Bart agora os chamava para dentro do banheiro, agora ele sabia que não podia errar, Isabel com um ultimo esforço toca à cabeça de Bart, ele se sente tranqüilo como se acabasse de acordar de um belo sonho, com sua forças renovadas, ele se concentra como nunca.

- Rápido abram a porta. De repente eles estavam fora dos limites da cidade, somente a estrada e o nascer do sol estavam à sua frente, eles sabiam que não podiam descansar, sabiam que não estava acabado, eles logo descobririam sua fuga. Mas as esperanças estavam renovadas. Afinal amanhã será um novo dia.

local original: Page of Mirrors
nome original: Amanhecer
autor(es): Daniel Lisboa
tradutor(es):

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