Crônicas de Stephan


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


I - Registros do Labirinto

2.004, 2 de Janeiro.

Stephan estava sentado, uma caneta dourada em punho, e parecia escolher cada palavra. Seus cabelos encaracolados caiam por sua face. A luz provinha de umajanela aberta, que deixava entrar a luminosidade do dia frio. Seus escritos, finalmente, começavam a fazer algum sentido.

Ele costumava anotar, sempre que chegava em casa, suas descobertas e missões. Já havia feito muitos serviços para o Conselho, e essa era uma boa forma de recuperar informações quando elas fossem necessárias. Apesar de não estar presente na maior parte dos acontecimentos que iriam ser narrados, suas anotações eram as mais confiaveis sobre eles.

Ele não era maligno - escrevera Stephan. -Foi uma feliz descoberta dessa longa noite. Winter tinha razão, em sua determinação. Ele podia estar errado, mas não estava corrompido.

Os herméticos desconfiam de mim, mas ainda consigo negociar com eles. E extrairei informações suficientes para os meus propósitos de suas bibliotecas, antes que eles realmente se aborreçam.

Há muitas informações sobre o Labirinto guardada pela Ordem de Hermes. E eu estou começando a compreender que o fato de dois deles estarem envolvidos na última reabertura do local não é o único motivo para tal. Eles tiveram seu quinhão na fundação do lugar, segundo os registros que finalmente localizei.

Bem...Murmurou ele baixinho, antes de voltar a escrever, fixando por instantes o vazio entre a parede e o teto. É impossível saber se aqueles registros eram realmente sobre a fundação do lugar. Os herméticos são muito bons em línguas, e em esconder sinais estranhos, mas, de qualquer forma, sei o que significavam aquelas anotações: Eles - ou, ao menos, alguns deles - estão envolvidos até o topo de seus cajados com a história do Labirinto. Entretanto, algo me diz que não posso me perder no estudo de sectos secretos da Ordem de Hermes, não pelo menos enquanto eles estiverem me observando.

Suzan é o nome da bibliotecária do principal reduto hermético Nova-Iorquino. Ela é uma senhora bastante simpática, mas austera. Não parece se comover com uma caçada contra os Nefandi que têm atacado alguns magos pacíficos. Provavelmente, os únicos magos que importam para ela são aqueles que têm ao menos lembranças de quatro ou seis encarnações dentro da Ordem. E ela, obviamente, esconde coisas de mim.

Se eu ao menos pudesse falar com um deles... Se eu conseguisse acessar o espírito de Kaworu Naguisa... Entretanto, as coisas estão se juntando, aos poucos. Algumas palavras passam a surgir repetidamente diante de mim.

Ao que parece, as pessoas costumavam guardar no Labirinto registros importantes que não queriam que se perdessem. E logo os magos reconheceram o poder do lugar, e o tomaram para eles. A biblioteca do mundo das essências se formou aos poucos, inicialmente mero reflexo da biblioteca física. Seus magos guardiães foram criando ao longo dos anos passagens secretas para a biblioteca da Penumbra, passando a guardar os manuscritos mais importantes fora do alcançe dos adormecidos. Não se sabe ao certo onde a biblioteca se localizava, mas deve ter tido sua primeira localização nos confins do Oriente Próximo. Inúmeros sábios se esforçavam para manter cópias dos textos mais preciosos de cada biblioteca do mundo naquele enigmático labirinto.

Vieram, entretanto, as épocas negras, e, num momento não registrado nas línguas dos homens, a biblioteca passou a ser regida por magos malignos, que usavam para fins cruéis todo aquele conhecimento sagrado. Não se pode saber se aqueles que ocupavam o lugar foram destruídos pelos Nefandi, nem qual a relação entre esta construção ancestral com o fato das construções dos seguidores das trevas terem, tradicionalmente, a forma de labirintos.

Tampouco é possível precisar quando ocorreu o "espelhamento" do Labirinto. Caso os Nefandi tenham lutado contra os magos que os sucederam na posse do local, talvez tenha sido um dos resultados do combate. Ou então, ele pode ter sido resultado imprevisto de um ritual maligno.

O que se pode saber é que uma força transformou as paredes em espelhos e aprisionou tudo o que estava junto delas: Estantes de livros, prisioneiros acorrentados, armas e obras de arte que estavam recostado a elas. Os reflexos do que foi absorvido pela Magika do Labirinto ainda podem ser vistos por aqueles que caminham por ele, através dos espelhos. Almas, livros antigos com caligrafias obscuras e textos fragmentados, pinturas velhas, tudo aprisionado dentro dos espelhos e sendo refletido neles para os posteriores ocupantes do Labirinto.

Os Nefandi viveram lá por muito tempo. Os espelhos guardam um rico tesouro, mas junto dele está uma mácula, uma aura maligna. Assustadora e poderosa, ela pode ser despertada por alguém que tenha dúvidas e terror em seu coração.

Mas há sinais... E aí, ele interrompeu abruptamente sua narrativa - que simplesmente não compreendo... Há algo sobre as pedras do Cálice de Ísis, que me escapa. Que seriam elas? Qual sua ligação com a história que desejo conhecer? E quem é seu temido senhor? Houve uma luta, entre Nefandis orientais e magos da Ordem na idade das trevas, ao que pareçe, pois ambos os lados cobiçavam as tais jóias. Se eu pudesse ouvir o que realmente está por trás desses registros...

local original: Page of Mirrors
nome original: As crônicas de Stephan
autor(es): Stephan baseado em idéias de Ad, Kaworu Naguisa, Mr. Ramuh, Winter e Verbenazinha Cayra
tradutor(es):

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