Conversas ao lado da cama


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Assim que o homem acordou, ele começou a puxar as correias espessas que prendiam ele à cama. Ele permanecia calmo e metódico até agora, mas seu autocontrole estava enfraquecendo rapidamente, isto era óbvio.

"Por que estou aqui? Que espécie de piada doente é esta?" ele exigiu, com olhos cheios de medo e raiva. Eu sentei-se perto dele na cama e coloquei minha mão nele. Sua pulsação estava muito rápida, não inteiramente por causa de sua agitação.

"O que você quer? Eu tenho muito dinheiro, se você me libertar eu posso te dar um cheque ou algo mais! Só me liberte, porra!"

"Você entende que suas ameaças e promessas são completamente patéticas, assim como você mesmo?" Eu respondi, observando sua reação.

"Você é alguma espécie de doente mental que sai por aí jogando jogos doentios com as pessoas, não é! Solte-me agora!". Ele foi ríspido agora.

"Você sabe o que é este gosto amargo em sua boca? Acônito, misturado com algumas outras ervas. Você está morrendo, Ralph.". Sua reação foi uma mistura ímpar de medo, descrença e horror. Então ele começou gritar outra vez e eu mergulhei alguns lenços em uma bacia com água. Eles poderiam ser necessários mais tarde.

Depois quando cansou de gritar, ele me perguntou:

"Por quê?". Eu voltei ao seu lado e olhei seu rosto suado. O olhos estavam repletos de terror e começo de dor. Suas pupilas estavam dilatada em uma íris marrom. Ele tinha estado sereno antes, como seu traje conservador, mas agora ele olhou de forma honesta.

"Ralph, qual foi o dia mais importante de toda a sua vida?"

"De que isso interessa?! Você me amarra e tenta me envenenar, somente para perguntar umas drogas de perguntas triviais!'

"Dificilmente isto é trivial Ralph, sua vida pode depender disto. Foi seu casamento ou a primeira vez que viu Brenda?'

Ele ficou mais chocado com aquela pergunta simples do que quando percebeu que o que eu havia dito sobre o veneno era verdade.

"Brenda... este foi o dia o mais feliz em minha vida."

"Mas este foi o dia "mais importante" de sua vida?"

"Oh meu Deus... por favor faça isto parar! Certamente foi, Eu a amava!"

"Você realmente amava, ou pensa que amava?". Um pergunta completamente banal, para que um homem banal me desse respostas banais.

"Certamente eu a amava... Eu estava pronto para fazer qualquer coisa...'

"Mas você não fez." Aquelas palavras eram mais perigosas que o veneno, e um espasmo percorreu seu corpo inteiro em uma espécie de tosse.

"Por Favor! Deixe eu ir! Eu não fiz nada!"

Ah, agora nós estamos chegando à algum lugar.

"Exatamente. Este é o problema. Você foi para escola e tinha em mente que era superior quase em tudo, mas seus companheiros somente eram medianos. Você encontrou Peter, e viu como ele destruiu a si próprio, e mais tarde você sentiu-se culpado pela estória toda que você inventou sobre o fato de que ele era uma "alma perdida" à qual ninguém poderia salvar - você mesmo disse isto no funeral deles!" Ralph ficou apenas me observando, suando o esperando. Eu continuei calmamente: "Então você encontrou Brenda, que talvez até tenha mesmo amado, mas você não ousou o bastante para tomar a decisão final, assim você acabou se casando com a filha de seu chefe apenas para garantir um bom futuro. Eu não vou mencionar seus filhos ou sua carreira - deixando isto de lado, você não é completamente nada, alguém que nunca fez nada por si mesmo, você nunca saiu fora da linha para alcançar seus sonhos!". Depois de meu desabafo Ralph olhou para mim, cheio de surpresa e dor.

Ele viu a verdade claramente. Ele descobriu que sua morte poderia ser tão insignificante quanto sua vida, e pela primeira vez ele percebeu que havia outros além dele mesmo. Ou talvez ele não tenha me escutado por causa da dor e medo. Ele começou a chorar e gemer mais alto.

"Mas... deve haver "alguma coisa"..." ele disse. Eu limpei seu rosto com um lenço molhado.

"Saia do caminho, você entende? Você está tomando este desvio, você sabe."

"Não... por favor..."

"E eu não deixaria de matá-lo por misericórdia. Eu estou tentando mostrar para você algumas coisas com isto" Grande, agora eu estava parecendo um vilão de algum episódio de quinta categoria.

"Você está... me matando!"

"Sim. Este é o ponto ode queria chegar, realmente. Para livrá-lo de uma existência sem valor e possivelmente dar à você uma oportunidade para um novo começo... eu espero."

Repentinamente eu compreendi que eu precisava de tanta fé quanto Ralph. E se a Boa Morte e tudo que nós cremos for uma alucinação, algo para se agarrar, o pai de Tagliaferri teria reclamado tanto antes de morrer? E se eu fosse o assassino do companheiro desamparado preso à cama ao meu lado? Um onda de dúvida me cobriu, mas então eu recordei minha iniciação - "Aquilo " não podia ter sido uma alucinação. Ao menos não por inteiro. Até mesmo Ralph deveria ter uma oportunidade. Eu voltei-me para ele, ele estava gritando mais alto agora usando toda a força que ainda lhe restara.

Eu sussurrei em seu ouvido: "Eu vou te contar um segredo, Ralph. O veneno aumenta em muito seu vigor - você não vai mais prestar atenção aos ferimentos e seus espasmos estão deixando você mais forte a cada segundo. Você provavelmente poderia quebrar estas correias, matar-me com uma única mão e então obter sua liberdade. Poderia terminar com isso tudo. Na Escuridão abençoada, sem nenhuma dor." Ralph deve tem compreendido minha sugestão mesmo que não tenha compreendido minhas palavras, e começou à lutar mais. Eu observei ele gritar e se sacudir, fazendo a cama "saltar" com isto. Repentinamente sua perna direita quebrou uma das correias de couro, e com uma violenta torção (que eu acho ter quebrado seu braço esquerdo) ele se libertou da cama, jogando me no chão. Ralph caiu perto de mim, sangrando pelos cortes que haviam sido causados ao se libertar. Ele gritou até que seus pulmões ficaram vazios (e eles nunca mais poderiam inalar outra vez), constantemente contorcendo e enchendo o quarto inteiro com sua fria. Para um minuto eterno ele permaneceu lá, fechado dentro de um universo brilhante de agonia lentamente caindo dentro da escuridão, recebendo o calor da morte por asfixia.

Eu toquei sua cabeça e fechei seus olhos em um rito. Eu senti sua essência, liberada e ativada pela dor, deixei ela livre para procurar novas possibilidades. O quarto foi ficando quieto e fedia urina e medo. Eu sentei na cama e chorei.

local original: Anders Mage Page
nome original: desconhecido
autor(es): Anders Sandberg
tradutor(es): Winter

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