Koans e Haiku para
Irmãos de Akasha


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


"Como evitar que uma gota d'água jamais seque?"
- Koan budista

Em minhas crônicas de Mago, verifico com certa apreensão que alguns players se prendem à imagens estereotipadas na criação e na interpretação de seus personagens. Nada contra estereótipos, principalmente em relação aos jogadores iniciantes que precisam de uma forma confortável de se inserirem no contexto do jogo. Mas, quando jogadores tarimbados adotam um estereótipo, motivados por uma certa preguiça em enriquecer o "background", isso me corta o coração. Vou dar um exemplo.

O jogador quer jogar como um Irmão de Akasha, após ter se cansado de seu personagem Hermético da Casa Flambeau que mais parecia um mago de AD&D (fãs de AD&D, não me entendam mal...). Eu tento explicar para ele a visão de mundo dos Akáshicos, sugiro para ele alguns livros de poesia oriental ou guias turísticos do Japão, alguns bons filmes (O Tigre e o Dragão é muito óbvio, prefiro Lanternas Vermelhas e o esplendido Sonhos, de Akira Kurosawa), mas o cidadão se sai com a seguinte pérola de sabedoria: "Eu só quero ser um Bruce Lee doidão, velho! Nada dessa boiolice zen!" Pronto: O sujeito não só recusou minha ajuda em criar um personagem interessante, mas também revelou seu pouco caso em relação a um riquíssimo caldeirão cultural, que poderia ser trazido à crônica.

É claro que há determinados jogadores que justificam a afirmação do estereótipo do "Bruce Lee doidão", como a quebra do estereótipo do "monge contemplativo", um tanto mais comum, mas igualmente prejudicial ao enriquecimento da crônica. Um monge é um ser que abdicou de uma existência mundana complexa e, em certa medida, aleatória, em prol de uma filosofia ou ideal religioso de harmonia com o cosmos. Isto não significa que ela terá uma fala mansa e ficará em posição de lótus o tempo todo. Uma busca de harmonia com a Verdade (seja ela religiosa ou não) implica tecer relações tão ou mais complexas com o mundo e com os outros quanto as que foram constituídas no Samsara (o mundo mundano, de fora no santuário). Ou seja, nosso estereótipo do "careca vestido de laranja que fala coisas enigmáticas" também não nos permite escapar de uma pesquizinha básica sobre sua cultura e modo de ver o mundo. E nós sabemos o quanto a visão de mundo é relevante num jogo de Mago.

Lista de Koans e Haiku:

Segue abaixo, uma pequena seleção de Koans (frases e pequenos textos aforísticos que servem como ferramentas de meditação para as tradições zen-budistas e taoístas. Coloquei apenas frases curtas de diversas fontes e algumas de minha criação. Outros Koans podem ser mais extensos; como fábulas, contos míticos ou relatos de moral) e Haikais (Ou Haiku: forma poética típica do Japão e China, formada geralmente por uma estrofe de três a quatro versos). Há diversas formas de utilização em sua crônica, desde focos verbais para mágikas, passando por facilitadores da perícia Meditação (sugiro como uma especialização em Koans ou Haiku) até para epifanias (a solução de um Koan difícil ou a descoberta súbita de um sentido de um Haiku antigo e complexo, podem ser uma via para o Despertar, ou o inicio de uma grande busca).

Koans:

"O Tao que pode ser ensinado não é o verdadeiro Tao."
- Lao-Tsé

-"Qual é o som de um bater de palmas de um maneta?"
Zazen

"Não busque a vingança, busque Buda."
- Koan budista

Quando o trovão soar, se você estiver viajando cubra-se, se estiver em casa aprecie.

O que importa mais: o Dragão ou que ele tem em suas entranhas?

Morrer e viver, viver e morrer, tão iguais ao rio a correr.

A mulher que se cala é menos mulher? O homem que muito fala é menos tolo?

Os pássaros voam livres, mas porque só o homem se alegra?

Haiku:

"Bando de moscas
Que gosto pode haver
Nestas mãos enrugadas?"
- Issa

"Já é primavera:
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã."
Bashô

"Quando venta do oeste
Amontoam-se a leste
As folhas mortas."
Buson

Cantei nos trigais
Para a jovem passante
Os lírios dormiram num instante.

Achei meu livro
Mas, ao ler as páginas
Perdi-me em sonhos.

Esta é uma pequena amostra para os Narradores e jogadores que quiserem dar um pouco de viço cultural aos Irmãos de Akasha. É recomendado que sejam criados novos Koans e Haiku ou que sejam pesquisados novos textos, de acordo com a relevância destes elementos em cada crônica pessoal.

local original: Page of Mirrors
nome original: Koans e Haiku para Irmãos de Akasha
autor(es): Álvaro, Dark Elf
tradutor(es):

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