O Culto ao Nada e o Instinto Coletivo


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Existe uma verdadeira religião por trás desse secto. Como toda cultura mágika os nefandi são ligados por filosofias de vida e uma interpretação de mundo particular. Eles podem ser considerados um grupo distorcidamente religioso. Depois que são tocados pela escuridão interior é um caminho direto para a destruição. Mas os nefandi têm características próprias que os distinguem de outros grupos teocentricos. O culto de todo decaído é para com sua própria decadência, e acima de tudo, é um culto pessoal. As regras não são definidas quando você é um servo da destruição. Cada nefandi, devido a sua origem, busca o poder e a união de forma diferente. A ligação principal deles é a decadência de suas almas. O vácuo tomou conta do que um dia foi a sua razão e seu espírito humano. Após essa invasão o que sobrou foram pedaços do que o mago já foi e esses pedaços se tornam uno com a energia que o destruiu. Esse sentimento forte e essa ligação com a escuridão externa é a base de todo o culto. Eles sentem o poder no ar, como ouvindo um chamado de deus, eles sabem que algo grandioso espreita as margens do mundo e conscientemente buscam a união com esse poder.

É um instinto dos decaídos, a energia entrópica que transformou-o nas coisas desumanas que eles agora são os conecta de forma que poucos magos realmente poderiam entender. Os nefandi deixaram a muito a humanidade e o que eles se tornaram só eles podem realmente entender. É um mundo novo, eles conseguem enxergar a decadência em todas as pequenas coisas, e por instantes eles tem a certeza que nada mais existe além do caminho negro que escolheram. Esse instinto coletivo, essa força que os consome por dentro é o pilar de sua fé.

As religiões se baseiam em deuses criadores, entidades que controlam e regem a vida dos mortais. A adoração procura exaltar as qualidades dos deuses adorados e os utilizam como metáfora para própria construção humana. Os nefandi zombam dessa estrutura com sua fé negra. Eles não vêem deuses, eles adoram um princípio irracional e destrutivo. Eles rezam e oferecem sacrifícios em nome de um princípio que vai terminar por consumir a tudo e todos, e eles fazem isso conscientes de suas ações. Um nefandus não pode ser regenerado, ele não está realmente doente ou ferido ele faz o que faz por vontade própria, ele aceita a verdade distorcida que seu avatar distorcido mostra.

A religião nefândica é uma ameaça para a vida. E assim como os magos constroem o futuro, os condenados destroem o presente. Cada passo que um mago dá com seu Arete o nefandus dá com o seu no sentido inverso, mas com a mesma intensidade. É alarmante ver quão fundo um deles pode ir, e se realmente todos os passos forem refletidos nesse espelho negro, qual será a equivalência negra a ascensão? Que poderes podem ser encontrados nos princípios entrópicos? O que ocorre quando um decaído realmente se torna uno com o conceito a que persegue.

O culto nefandi adere a sociedade mortal em todos os níveis. Esses magis procuram corromper a sociedade sem esperanças de retorno e suas armas são mais sutis que mera força bruta. Qualquer que seja o deus que rege o abismo no qual os nefandi se arremessam ele é um deus inteligente. Como uma doença esses magos se espalham pela terra com movimentos controlados. Apesar de nunca realmente terem se conhecido dois nefandus em lugares diferentes conseguem arquitetar seus planos. Toda uma linha de comunicação empática é criada durante as cerimônias dos decaídos. Eles trabalham lentamente e organizadamente procurando trazer a tona a tempestade. Atacar um decaído é enfrentar toda a comunidade deles.

Os olhos revelam a condição da criatura. Eles se denunciam pelo olhar. Fixar-se num nefandus é ver uma criatura que se veste de humana, quase todos os magos que lidam constantemente com essas criaturas afirma categoricamente que é impossível deixar de perceber. Eles se recusam a acreditar que aquela mascara de carne consiga enganar os magos mais inexperientes, mas é exatamente isso que os decaídos querem que eles pensem. A verdade é que os decaídos sabem se camuflar e com seus disfarces eles carregam o culto ao nada mais fundo dentro da sociedade. Onde menos esperam tradicionalistas e tecnocratas esbarram com os sinais da entropia. Aos poucos todos os níveis da sociedade acaba festejando alegremente sua própria destruição enquanto eles riem dentro de seus labirintos. Nada está a salvo do toque da igreja da decadência e no final todos estarão congregados as portas do grande limbo.

local original: Page of Mirrors
nome original: Nefandi
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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