O Nefandus


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


-Eu sabia que você ia acabar vindo. Só esperava já ter resolvido tudo até que chegasse.

-Duvido! Acho que pra falar a verdade ficou pensando que ia ficar sentada naquele café até criar teias de aranha! Achou que eu ia desistir e me calar rezando pra que minha irmã estivesse bem... Eu te conheço Ag, te conheço bem o suficiente pra perceber que não confia em mim.

Fazia cerca de vinte minutos que a voz de ambas soava alta pela casa. Lucy não demorou a encontrar Agnessa folheando o seu diário dentro do quarto de sua irmã. Ela ficou irada, porém pouco surpresa, ao perceber que tinha sido enganada. Ela sabia o que aquele sonho significava e sabia que Lucy viria correndo pra cá caso ela falasse. Agnessa nunca confiaria plenamente nela, achava-a uma aprendiz de segunda categoria, era óbvio! Ela era uma vazia! O quê se pode esperar de uma vazia?

-Lucy, ele é um Nefandus. Eu não poderia deixar você vir. Tente entender...

-Entender o que? Eu sei que você não acha que sou capaz de me cuidar.Tá mais que na cara. E quer saber eu não to nem aí mais!

A voz da garota era dura, estava irada. A verdade era que estava irritadiça por também não confiar em si mesma, a idéia de olhar para Tell de novo lhe trazia medo indescritível. Ela tinha ódio disso, de se achar fraca. E odiava Agnessa ainda mais por lembrá-la disso.

-Lucy! Você sabe o que diabos esses caras fazem? Se você não que me ouvir, tudo bem... se quer ir embora e cuidar da sua vida sozinha eu não vou impedir, mas você não vai enfrentar um decaído sozinha... não vai nem chegar perto de um.

-E por que não? Você vai me impedir? Agnessa eu sei da minha própria vida, eu cheguei até aqui sem a sua ajuda e sei que posso cuidar dele sozinha também.

Lucy descia as escadas pegando sua mochila perto do corrimão. Tentando sair com o último argumento ela cruzava os degraus rapidamente sem sequer olhar para trás. Por um instante ela se sentiu tonta e Agnessa segurou-a firmemente pelo braço.tão forte que chegava a doer sob a fina blusa preta que a magi vestia. Os olhos de sua mentora pareciam brilhar de raiva. O próprio descontentamento de Lucy parecia se esconder ao vê-la daquele jeito. O ímpeto da jovem se desfez ao ouvir a voz inflamado porém baixa como um suspiro de Agnessa. Ela não estava brincando agora.

-Você sabe do que eu estou te falando. Eu já te tirei dele uma vez e eu não vou ir te resgatar de novo se você resolver passar dessa porta sem mim. Isso não é como uma dessas brigas idiotas que você faz com seus amigos de rua. Eu não sou uma deles e se você ainda quiser alguém pra quem correr da próxima vez que estiver sangrando é bom prestar atenção. Esse cara não vai só te matar quando você for lá. Ele mal vai pensar duas vezes antes de sacrificar você e sua irmã em nome do que seja lá o que ele estiver adorando essa semana. Lucy! Se você acha que ele foi ruim da última vez você não tem nem idéia do que vai ser agora. Ele não quer sua irmã...ele quer você de volta. E não vai ser pra te largar como ele fez da última vez.

-Mas...eu...

-Se você se acha esperta o suficiente pra não ser enganada..se acha que vai fugir é melhor pensar duas vezes. Ele teve anos pra treinar e todas as últimas vítimas dele pensaram exatamente da mesma forma que você. Todas se acharam melhores. Lucy os decaídos são o pior dos nossos pesadelos. E se acha que vou deixar você se afundar está enganada. Você já se perdeu uma vez com o umbróide que te trouxe aqui. Só provou que é mais estúpida do que pensava. Não vai fazer isso de novo. Não na minha frente.

Lucy se calou ouvindo o que Agnessa acabara de falar. Ela estava ofendida, mas também estava acuada. Não sabia onde se esconder, os olhos de sua mentora pareciam despí=lla. Estava totalmente envergonhada, sentindo-se uma idiota, uma iniciante. Ela estava sendo repreendida como uma criança, como uma das mais medíocres magas que já havia visto. E o pior de tudo era que ela tinha razão. Ela se achava melhor. E talvez fosse exatamente isso que ele queria. Tell...

Os Nefandi são uma abominação sobre a face da terra. Representando a total decadência suas hordas são verdadeiras distorções dos princípios do Mago.Enquanto um tecnocrata ou um tradicionalista é guiado por um propósito maior, um nefandi simplesmente busca a destruição. Eles são a materialização do mal. Não o mal clichê visto em filmes ou na vilania de histórias de segunda. Eles são a personificação do antagonismo, seus modos contrariam toda forma de princípio elevado buscando nas bases do ser humano o lado negro. Eles não são um secto mal interpretado ou de ideologia duvidosa, eles simplesmente buscam o fim de tudo enquanto veneram o vortex da destruição. Os nefandis sabem o que estão fazendo o abraçam de corpo e alma seu objetivo.

Talvez seja um pouco surreal imaginar as motivações de alguém que busca a própria destruição, mas a verdade é simples e cruel, talvez o mais doloroso num nefandi não sejam suas atrocidades mas o fato dele comete-las mesmo sabendo que o propósito é uma aniquilação de tudo. Eles não querem destruir para construir, eles não lutam por um ideal. O propósito explícito deles é simples: O fim.

Esse fim, ao contrário de muitas teorias herméticas não é um fim simbólico que levará a união de todos os mortais numa realidade ausente. Esse fim é na verdade o fim de tudo. É o ponto onde tudo deixa de existir e mesmo as esperanças ou possibilidades de criação estão mortas. É o limbo o que os nefandi procuram, e talvez seja esse limbo que assusta os magos. A maioria dos seres procura sua sobrevivência, e como o conceito do próprio mago fala: ele procura gritar ao universo “Eu existo!”. O que acontece com os nefandi é uma blasfêmia imoral e corrompida desse instinto. Eles são a inversão do mago, eles procuram olhar a face do mundo e sorrindo suspiram aos ventos “Eu não existo..nada Existe!”. E o propósito deles é concretizar esse propósito e trazer a morte a tudo que existe.

A verdade pode ser uma coisa duvidosa, e se os conceitos são uma gama de cores os nefandi sorriem estando entre o negro mais escuro e o ponto onde a luz se vê absorvida. Não há dúvida entre os magos que estas aberrações são o verdadeiro inimigo. A guerra da ascensão é uma guerra de ideologias, mas para haverem ideologias existe a necessidade de algo pelo que lutar. Os nefandi não deixam nada por onde passam. Seu rasto deixa mentes e corpos vazios, corrupção e avatares desgastados ao ponto de mal poderem se sustentar. O caminho da decadência é simples e direto. E por ele só se trilha numa única direção.

Muitos aprendizes simplesmente acham a batalha contra os nefandi algo importante, mas não entendem o por que dos procedimentos. Acham tudo muito brutal. Eles são tolos e são os primeiros a cair quando o inimigo bate às portas. Os nefandi sabem o seu lugar, assim como todos os outros que os combatem deveriam saber. Seu inimigo é capaz de se tornar seu aliado quando as vozes dos decaídos surgem em coro através das ruas da cidade. Todo cuidado é pouco. Os que não esquecem as batalhas tombam diante do vortex e essa lição é aprendida a duras custas pelos que se interpões com o caminho a decadência.

Se o mago é um herói épico, os nefandi são seus antagonistas calorosos, eles aceitam seu lugar e alegremente destroem tudo em seu caminho até que alguém se interponha entre eles e a destruição

local original: Page of Mirrors
nome original: Nefandi
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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