O Despertar Negro para
as Novas Possibilidades 


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


O renascer dos verdadeiros nefandi é algo delicado. Talvez seja difícil entender por que alguém se entregaria voluntariamente a uma força que só quer destruir tudo (incluído eles mesmos). Para tocar a psique de uma dessas criaturas de forma total seria necessário, literalmente, se entregar ao vácuo, uma tarefa que, sem entrarmos em discussões metafísicas, é inaceitável. Muitos magos teorizam diversas possibilidades para o fenômeno, desde que esses nefandi são apenas desauridos com silêncios excêntricos até que eles são apenas peões e joguetes mentais de entidades maiores, como o resto da comunidade decaída. Talvez esse não seja realmente o caso. Se é impossível nós nos entregarmos ao vácuo é perfeitamente possível agarrarmos ao vestígios de personalidade que sobram após ele ter dominado um mago. E são estes vestígios que revelam a verdade maior.

O renascer é exatamente isso, um despertar para novas possibilidades. A verdadeira decadência é exatamente como a epifânia que torna o mago um ser desperto. Essa epifânia porém é engatilhada juntamente com uma série de traumas e uma carga entrópica que estraçalha a mente do magi. Como uma revelação os fragmentos entrópicos começam a se misturar com a mente do mago, aos poucos tornando a sua alma parte do grande vácuo. O despertar é uma descoberta que leva a conclusão que a verdade sobre o mundo é simples, a mente do mago simplesmente entra num processo de assimilação que funde seus conceitos. Ele percebe que a verdade, aos olhos do vácuo é claro, é que o mundo simplesmente não existe. O mundo é um paradoxo permanente em que a mente humana tenta afirmar sua existência inventando medidas e ilusões para poder se manter viva. A entropia destrói a mente do alvo de uma forma que nenhum mago realmente pode compreender. O decaído começa a ver tudo por uma ótica que é capaz de aceitar o paradoxo que é o fato de nada existir além da ilusão criada pelos homens. Para uma mente “desperta” é doloroso se ver forçada a perceber sua própria existência. A criação é um grande engano aos olhos do mago decaído. Ele não possui mais a necessidade de definição, ele consegue simplesmente ser, sem o desejo de se auto-afirmar e isso provoca a decadência.

Talvez o mais próximo da existência desses magos que possamos chegar é quando encaramos a desesperança e a dúvida. Quando não temos certeza de algo que nos é vital e enlouquecemos com isso. Esses magos passaram pelo despertar quando de relance se confrontaram com a realidade de sua não existência. Suas mentes humanas não conseguiam entender o paradoxo que era a vida e então acabaram por “despertar” sendo assimiladas pela entropia. Esses magos olham tão fundo nos olhos da sua existência que acabam tendo sua visão manchada pela falta de foco e finalmente passam a não ver o nada. Aos poucos eles se submetem cada vez mais a realidade que é o fato de na verdade não serem nada mais que uma parte indistinta do grande vácuo.

O despertar é uma paródia da epifânia matriz. Como verdadeiras aberrações esses magos se voltam na direção oposta a de seus colegas que buscam a ascensão. Indo verticalmente opostos, eles voltam direto para onde todas as coisas se criaram, correndo contra o ciclo. E sua verdadeira ocorrência é tão paradoxal que todos os verdadeiros Nefandi são despertos. A percepção que a realidade consensual é uma mentira é um ato comum para os dois lados da ascensão, e essa percepção inevitavelmente leva a criação de algum tipo de despertar. Ao mesmo tempo que os despertos se voltam para a iluminação, os nefandi se voltam novamente ao vácuo. Cada passo para a Iluminação tem um passo representativo e simétrico do outro lado do espelho, e o perigo da queda se esconde exatamente quando um mago sobre esses degraus.

Sempre que um mago passa a evoluir e aumentar seu Arete existe a possibilidade dele ser tocado por uma revelação negra. A entropia, assim como a estase e o dinamismo possui seu próprio campo gravitacional e quando seu avatar é lançado diretamente no vortex indistinto e fervilhante que é a morte entrópica pouca coisa se pode fazer para prevenir uma decadência igual. Um mago que sofra de grandes carga entrópicas nos momentos em que seu avatar está mais vulnerável pode sofrer a verdadeira inversão. O termo “avatar invertido” é derivado do conhecimento expresso pelos avatares dos verdadeiros nefandi. Muitos magos erroneamente afirmam que widderslaintes e outros tipos de magos decaídos possuem avatares realmente invertidos, mas o que acontece a esses magos na verdade é um retalhamento e aprisionamento de seus guias espirituais pelos lordes negros. Muitas vezes outros tipos de nefandi podem sofrer um despertar parcial e esferas quipphoticas mas, felizmente, o caminho da decadência total só é seguido por algumas poucas almas.

Se tornar um nefandi verdadeiro é um destino perigoso, tanto para o mago quanto para os que estão a volta. O final desse caminho leva ao poder, mas a loucura implícita é o tormento de sentir-se guiado pelo ímpeto de consumir tudo que está a volta.

Não se deve confundir, porém, os Decaídos como seres irracionais e completamente fanáticos. Eles nunca apareceram assim. Apesar do vácuo atormenta-los eles estão perfeitamente conscientes de seus planos e que, um frenesi de decadência poderia simplesmente mandá-lo de volta para o ciclo para um sofrimento ainda maior. A decadência é o objetivo final, não a morte. Um nefandus aceita paradoxos pois ele mesmo é um e o brilho encantador em seus olhos é prova disso. Ele vai ser o mais humano dos humanos, o mais belos de todos, o mais amigável e o mais racional. Ele não perde nada para seus aliados corrompidos. Por cima do turbilhão devorador de almas que é sua própria alma consumida pelo vortex, ele será perfeitamente normal. Mas ninguém deve se iludir ao pensar que existe algo humano nele. É tudo apenas um disfarce favorável, uma forma bonita com que o nada se vestiu para infectar outras almas. Lidar com um nefandus, qualquer tipo de nefandus. É estar pronto para ser apunhalado pelas costas e entrar em um jogo aperfeiçoado com milênios de técnica onde a sua alma é o maior prêmio.

local original: Page of Mirrors
nome original: Nefandi
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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