A Visão de Mundo dos Decaídos 


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Ao contrário do que muitos magos pensam ao encarar as filosofias dos nefandi, o vácuo que eles adoram e até mesmo encarnam é uma entidade espiritual real. Essa entidade está ligada principalmente a morte e realmente possui um domínio dentro da umbra negra. A iluminação dos nefandi é algo contorcido e seu ideal de decadência é trazer a tempestade e o vácuo do mundo dos mortos para toda a realidade. Pode parecer estranho a primeira vista, mas eles possuem diversas teorias que afirmam que essa seria a única forma de fazer com que a mente humana aceite seu estado real.

É um fato conhecido para os que realizam viagens para o mundo dos mortos que a consciência humana encontra seu fim nos ventos da tempestade. A mente humana quando sofre a morte recebe uma carga entrópica muito forte e é atraída como um imã para os ventos da tempestade do submundo. Esse processo é natural para todos e faz parte do ciclo da reencarnação onde novos seres nascem à partir do reaproveitamento dessa energia entrópica. A tempestade é a maior manifestação espiritual da entropia que se pode encontrar dentro da umbra, e muitas vezes é confundida com o foco de adoração dos nefandi. Essa concepção está errada mas chega bem próxima da realidade.

Dentro dos níveis mais profundos da tempestade se encontra o limbo, que é o lugar onde existe a mais perfeita não existência. Sendo formado à partir dos restos das almas, o limbo é a grande sucção quintesssencial para onde se recicla todas as coisas. Tudo que é quebrado ou destruído de alguma forma vai parar lá alimentando o grande vortex. É uma teoria aceita que o grande reservatório de primórdio que alimenta toda a telluriam está de alguma forma conectado a esse principio de destruição. Aos poucos esse limbo procura engolfar toda a criação a sua volta. E sua ressonância é tão grande que tudo em sua proximidade se torna decadente. Os reinos dos mortos são o mais próximo que uma mente racional pode chegar desse poço existencial. E como se pode ver facilmente o estado desses reinos é um reflexo da decadência que permeia mundo. Por muito tempo acreditava-se que o mundo dos mortos derivava como o “negativo” do mundo dos vivos, assim como a penumbra, seu oposto na umbra rasa, era a manifestação dos sentimentos dinâmicos. Essa teoria é negada pelos decaídos verdadeiros. Eles afirmam que a mente humana tenta entender o vácuo dando forma a ele mas existe conflito, impossível de se definir o vácuo aos poucos toma sua forma original destruindo os conceitos. Os mortos são confrontados com o paradoxo de estarem vivos mesmo depois de seu corpo ser destruído e esse paradoxo os consome lentamente levando-os de volta a sua origem. Mas a mente não aceita a verdade e acaba tentando se encaixar novamente em suas ilusões.

A tempestade é a fronteira da não existência, é de onde surgem todos os servos da destruição. Os seres que, conhecendo a realidade, procuram iluminar seus irmãos na litânia da morte. Os ventos da tempestade são formados pelos últimos sentimentos das mentes que voltam para seu lar. A dor, ódio, agonia e as emoções violentas são carregadas de uma ressonância de desespero, uma ressonância entrópica e por isso mais se aproximam da verdadeira realidade. A tempestade é o fluxo dessas emoções que se concentra no submundo. Toda vez que essas emoções se fortalecem a tempestade devora mais almas se fortalecendo e ampliando, e assim, ampliando o vácuo em seu interior. Grandes catástrofes e sofrimento revoltam a tempestade e aos poucos enfraquecem o mundo dos mortos. Os turbilhões, explosões de energia entrópica que assolam as cidades das aparições, são a manifestação pura de poder da entropia, e são nesses turbilhões que a vontade da criação é feita.

Em muitos lugares o submundo toca o mundo normal, são essas as casas mal assombradas, locais de desespero e dor. Nesses pontos a mente humana chega próxima a entropia das aparições. De acordo com a filosofia decaída, nesses pontos a vontade dos adormecidos contra a verdade é fina e o abismo chama-os para seu abraço. Esses lugares são as nulidades, elas existem como meios de se chegar ao mundo dos vivos ou atravessar direto do mundo dos mortos para a tempestade. São essas nulidades que os nefandi tentam cultivar. Quanto mais a barreira entre os reinos for destruída, mais tudo se aproximará da verdade. O dia em que os ventos da tempestade varrerem toda a umbra viva a vitória estará garantida.

Um fato interessante na filosofia dos decaídos é a análise que eles fazem entre a semelhança externa e a interna entre a mente humana e o mundo. Eles simbolizam o estado que se encontram, entre a vida e a morte, como uma representação da realidade. Assim como o grande limbo se encontra no centro do submundo, eles expressam que a verdade é que a vida no seu interior é vazia, e que é só uma superfície que a racionalização exagerada criou para entender seu estado. E assim como o mundo paira entre o grande vácuo interior e o grande vácuo exterior além do horizonte. Eles falam que o estado de todos os seres é falho e eles impedem que a entropia seja uma coisa só. Eles impedem que o vácuo externo entre em contato com o vácuo interno nos corações deles. Por essa racionalização o despertar negro é a unificação com o universo. Essa unidade permite que cada mago, conforme se entrega mais e mais ao nada que é todas as coisas, controle-as e molde-as. É uma visão perturbadora que já levou muitos magos a decaírem. A teoria é estranhamente confirmada pelo fato do horizonte ser a barreira da imaginação humana, tudo que  está além da nossa imaginação e muitos falam que lá fora só existe o nada...

local original: Page of Mirrors
nome original: Nefandi
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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