Por Trás das Sombras


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


As Práticas Decaídas

As escadas. Elas cheiravam a café quente e fumaça de cigarro. Todo o prédio cheirava a cigarro. Com as paredes encardidas levemente amareladas todo o lugar era sujo. Dava a impressão que foi usado como boca de fumo durante anos até que a policia entrasse pra limpar a área. Talvez até tivesse sido. Era engraçado como esses detalhes haviam sido esquecidos. Como toda a decadência havia sido esquecida. Os adormecidos não conseguiam sentir o verdadeiro cheiro por trás daquele prédio, eles não conseguiam definir realmente o aroma que se impregnava aos moveis e as tábuas no chão do corredor. Era um cheiro de morte. Cheiro de sangue lavado com desinfetante barato. Lucy sabia de onde todo aquele cheiro vinha. Ela conseguia sentir dentro de seu peito o vazio pulsar. Ela sentia perfeitamente suas veias dilatarem e sua garganta secar conforme ela se aproximava da porta. Ela suava frio conforme sua mão tocou a maçaneta dourada do apartamento 306.

Fazia cerca de vinte minutos que Agnessa tinha entrado, vintes longos minutos onde Lucy sentia os segundos se acumularem e sua tensão subir. Do carro não dava pra ouvir nada, as luzes estavam apagadas. Nenhum sinal de vida. Ela tinha que ver o que estava acontecendo. Para não enlouquecer. Agora ela se arrependia de ter feito essa escolha. Ela se arrependia de ver com seus próprios olhos. O sangue a dor. Ela não queria olhar.

A porta estava destrancada, vidro se espalhava pelo chão junto com pequenas gotas de sangue. Na cama era possível identificar os contornos de uma mulher. Uma faca estava sobre um banco ao lado da cama. Uma faca simples de cozinha dentro de um prato plástico fundo. Era tudo tão simples. Havia sangue nos lençóis e dentro do prato. Uma única vela negra estava acesa na cabeceira e um pequeno círculo feito tom tinta preta de caneta estava a volta da vela com inscrições. Simples... funcional...  extremamente prático. A mulher segurava um pequeno cordão dourado. Sua mão caia pelo lado da cama com cortes profundos e sangue escorrendo pelos dedos. Lucy conhecia o cordão, lembrava daquele cordão, lembrava do aniversário de Agness quando ela deu de presente um pequeno ankh folheado a ouro.

Lucy não ia ter coragem de entrar no apartamento. O cheiro era muito forte, tudo estava sujo, ela se sentia suja. Ela não iria entrar pra ver sua Mentora morta. Ela não iria olhar para ela assim como havia olhado sua mãe morrer. Ela não ia passar por tudo de novo. Lucy sem querer chorava. Seu coração estava acelerado conforme a dor no seu peito aumentava. Suas pernas fraquejavam enquanto sua face se contorcia. Ela não aquentava tudo aquilo de novo, ela não ia passar pelos pesadelos. Ela sentia o desespero dentro dela crescer... ela corre. Corre pelo prédio pulando os degraus da escada e atravessando a noite fria em meio a neblina.

Tell sabia que ela seria dele assim como Agnessa. Lucy não teria coragem de tirar o lençol ele a conhecia. Ele sabia que aquele corpo seria o suficiente para ela começar a imaginar coisas. Assim como Agnessa se rendeu ao ver sua irmã morta. Ela sim teve coragem de retirar o lençol. Ela sim sentiu o gosto de seu athame. Ela sim era o seu verdadeiro alvo. Lucy iria se render cedo ou tarde a sua mente. Ela iria imaginar coisas e quando o fantasma do que ocorreu essa noite a assombra-se ela seria dele, toda dele.

O quarto estava silencioso, com exceção da pequena risada do decaído que ajeitava seu cabelo no pequeno espelho rachado do banheiro. As suas costas estava a orgulhosa Mentora de Lucy, quebrada, arrasada por ter visto o que ele havia feito, por ter visto a irmã daquela forma... Horrorosa. Talvez ele tivesse exagerado. A faca poderia ter sido evitada afinal era uma reunião de família. Fazia quase 27 anos, desde que ela havia desaparecido. Desde que a irmã havia sumido no bosque. Não havia uma noite em que ela não rezasse pelo seu bem estar. Era um amor lindo, toda a faculdade todos esses anos. Lucy, as outras aprendizes. Tudo por ela... Talvez ela já estivesse pronta para visitar o templo. Talvez ela já estivesse pronta para visitar a irmã de Lucy na capela...

local original: Page of Mirrors
nome original: Nefandi
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

 Navegação Rápida