A Nephandus Chronicle


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


 

So mothers keep your girls in at home
Don't let them journey out alone
Tell them this world is full of danger
And to shun the company of strangers
Nick Cave - The Kindness of Strangers 

  Sara voltava para casa naquela noite com um ar de tristeza facilmente observado por quem olhasse no seu rosto naquela terça-feira chuvosa. 

Ela não conseguia assimilar o que acontecera naquele dia.  

Logo quando acordou para ir trabalhar recebera um telefonema de um familiar distante que informava o falecimento de sua tia.  

Sua boa educação mandava ir ao enterro, então ligou para seu namorado, Jaime para que ele a acompanhasse. Ele disse que era bom, pois ele precisava lhe dizer algumas coisas que andou pensando. 

Eles se encontraram e então aconteceu. 

Sara agora voltava para casa, tarde da noite e falava (como falam os loucos) sozinha:  

- Sara, Sara, Sara eu até gosto de você, não quero te magoar. Mas acho que minha vida e a sua não estão mais se encontrando... 

Um riso nervoso de Sara encerrou a citação que apenas reproduzia tal como ouvira esta tarde. 

Jaime acabou deixando-a antes do velório, pois quando acabaram de almoçar (depois do que Jaime disse) Sara disse que ele não precisava ir com ela e ele acatou sem protestar. 

Ela foi ao velório, deu e recebeu pêsames, assistiu o enterro e depois andou muito pelo cemitério para pensar. Quando se deu conta já era noite. 

E agora ia para casa. 

Então ela escutou passos. 

Olhou para trás e nada viu. 

Apertou o passo.  

Abriu apressadamente a porta de casa. 

Entrou em casa. 

E escutou. 

- Sara não tenha medo de mim. - a voz era de uma mulher, Sara sentia que algo a vigiava. 

- Quem está aí ? - disse Sara. 

- A senhora dos sonhos Sara. Teus sonhos e de muitos. Meu nome é Valéria. 

- Seja lá quem for, vá embora. 

- E porque haveria de ir embora Sara? Porque a deixaria sozinha? Está passando por uma fase tão difícil. Amigas não abandonam outras amigas em momentos difíceis. 

- O que você é? Um espírito? Um demônio? 

- Eu sou ambos. 

Sara começou a sentir muito medo. Então gritou:  

- Saia daqui demônio, saia de minha casa! 

- Sim Sara, sinta ódio, sinta medo... foi assim que você me chamou, mas agora não pode me mandar embora, pois seu coração está negro. Vingue-se do mundo Sara, vingue-se das pessoas que não te amam. Que te obrigam a viver aqui sozinha. Que te acham velha e feia. Do seu namorado que te abandonou. Da sua tia, que se não tivesse morrido hoje, talvez Jaime nunca a tivesse deixado. Talvez ele ainda estivesse com você, porque não teria coragem de dizer o que sentia. Estaria com você por piedade. 

- Não, não é verdade. Você é um demônio e está querendo me tentar. 

Sara agachou e começou a chorar como uma criança. 

- Então se eu sou um demônio, reze e talvez eu vá embora. Mas se eu não for, Sara, então você será minha. 

- Eu... eu não me lembro a oração. Deus, faça-me rezar... 

- Não se lembra Sara. Talvez tua fé a tenha abandonado também. E teu Deus porque não a ajuda? Se após tua oração eu ainda estiver aqui eu a levarei. 

- Deus me ajude - Sara desabava em lágrimas. 

- Se teu Deus não te ajuda, e se achas tão importante provar isso então repita comigo. Ave Maria mãe de misericórdia... 

Então Sara rezou junto com aquela voz, fechou os olhos com força e sentiu alguém lhe abraçar. 

Quando abriu os olhos estava lá uma mulher linda, vestida de noiva...Sara estava mais calma, pois pensava que ela significava sua salvação. 

A noiva então lhe disse: 

- Eu não falei que de nada adiantaria a oração. 

Sara então gritou.  

No dia seguinte algumas vizinhas comentaram sobre esse grito, mas foram advertidas pelos seus respectivos maridos a não se meterem na vida de estranhos.

local original: Truth Until Paradox
nome original: A Nephandus Chronicle
autor(es): desconhecido
tradutor(es):

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