Entropia, dinamismo e criação


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Mais uma vez, me debruço sobre o teclado para escrever sobre o mesmo assunto. Creio ter mais de um texto semelhante a esse, mas ainda há coisas a serem resolvidas. Será um texto inútil, dissertação sem sentido sob um aspecto vagamente relacionado à metafísica do mundo de Mago: A Ascensão. Se você conseguir extrair dele alguma coisa interesssante, ficarei feliz. Se achar alguma resposta a uma de minhas eternas perguntas, comunique-me. Eu, agora, cumpro meu papel e retorno a elas.

Dentro do ciclo, ou espiral, de criação, para que, afinal, a Entropia é necessária? Qual sua origem e necessidade? Porque não se pode recriar sem destruir primeiro? É cômodo pensar que é porque esse é o ciclo das coisas.

Se analisarmos a Entropia em sí, verificaremos que ela tem diversos aspectos: Um dos mais notáveis, talvez seja que ela tem um contato profundo com o primordial. Isso quase equivale a dizer que a entropia tem em si o princípio da criação, do dinamismo. Entretanto, essa afirmação simples não cobre todos os sentidos do contato anteriormente mencionado.

A Entropia lembra a lei da selva, o matar ou morrer, o instinto de selvageria. O bruto, o primitivo instinto de destruição, a pulsão de morte. Entretanto, se lembrarmos dela dentro da entropia, ela aparece bastante dissociada de outro princípio a ela ligado: A pulsão de vida, a criação, o segundo instinto animal, o de perpetuar a espécie. Isso contradiz a idéia de que a Entropia traz o princípio da criação, afirmado acima. Assim sendo, encontramos um paradoxo no que diz respeito ao contato da entropia com o primordial, e para tentar desfazê-lo, vamos ao primordial.

O primordial é a essência, aquilo de onde tudo vem, e para onde vai. Em resumo, um emaranhado disforme de prótons, nêutrons e elétrons, que formam os átomos, que forma a matéria, que forma o mundo. A função da entropia é decompor as coisas em essência primordial, para que elas possam ser recriadas. Então, mesmo que a entropia entregasse a substância decomposta nas mãos do dinamismo, em nada estaria envolvida com a criação.

Assim, voltamos à primeira pergunta: Qual, diabos, é a função da entropia. O dinamismo não poderia transformar a matéria sem que ela antes fosse decomposta? Tendo em vista que a entropia existe, a resposta só pode ser negativa. A única conclusão a que eu consigo chegar dessa negativa é a de que o dinamismo traz em sí o princípio da estase: É como se ele fosse apenas uma tinta, que não pode, apenas por sí, ser a origem de nada, mas que precisa de uma superfície para a criação.

E o que diabos é essa superfície? Se a entropia não cria, apesar de conter o princípio do dinamismo, e o dinamismo não cria por ter o princípio da estase, como afinal a criação se processa?

A matéria se cria. Ela é capaz de transformar-se sozinha, pela força da necessidade, e é capaz de coagir os três princípios a trabalharem para ela. O primordial é a criação, a essência, o pensamento e o conteudo, é aquilo que existe no mundo das idéias das quais nós vemos sombras pálidas de nosso mundo. É o que nossos sentidos e nossos pensamentos podem alcançar.

Entretanto, o mago pode ir além. Por seu dom, e através de seu destino, o mago está além do poder dos três princípios, pois pode alcançar o primordial e persuadí-lo a tomar forma. E nem sempre ele compreende isso. O que possibilita que os três princípios (que, no fundo, querem controlar a essência), utilizem-se dos magos que se rendem aos propósitos do princípio que os escolheu, e acabam se tornando escravos do princípio, distanciando-se cada vez mais do primordial.

Os servos da entropia estão tão cegos, que acreditam servirem à criação, e esquecem o mal que causam. Os servos do dinamismo sequer um dia de suas vidas pensam que sua Magika contém o princípio da êstase, os dois grupos não compreendem a razão da existência de seus poderes, e mal podem imaginar que conseguiriam fazer muito mais se rompessem algumas barreiras que eles mesmos permitiram que os princípios criassem

local original: Page of Mirrors
nome original: Entropia, dinamismo e criação
autor(es): Verbenazinha Cayra
tradutor(es):

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