A Trilha Frágil


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Uma Pausa Autobiográfica

Para aqueles que não me conhecem (e muitos, rezo para isso, não conhecem, pois minha reputação não é tão pura quanto gostaria), sou um Mestre Hermético de Doissetep e um dos fundadores da sua encarnação presente no Horizonte. Sobrevivi mais de quinhentos anos de guerras, intrigas, pragas, perseguições, romances, amores, traições, Silêncios, reações e tentativas de assassinato. Alguns me chamam de excêntrico, iludido, até perigosamente insano; eles podem estar certos. Certamente, minha mente não é mais como já foi. Contudo, eu sobrevivi e prosperei, embora não sem custos. Conheci mais derrotas do que todas as nações da Terra combinadas, e minha sobrevivência é minha maior vitória. Minha sobrevivência, e as lições que aquelas derrotas me ensinaram.

Os detalhes de meu nascimento e de minha vida anterior são ao mesmo tempo tediosos e sem importância; é o bastante dizer que Despertei sozinho e logo fui tomado e treinado por mentores da Casa Hermética Flambeau. Nos meus vinte e oito anos, ajudei a mover Doissetep para o Reino Fragmento de Forças durante a queda da Idade Mítica da Europa. As Casas de Hermes se uniram naquele tempo para enviar quaisquer alianças (Capelas) que pudemos salvar em realidades personalizadas para protegê-las da Ordem da Razão (a jovem Tecnocracia) e de seus aliados efêmeros e mortais. As grandes mágikas que tecemos mataram mais de uma dúzia de minha cabala, mesmo naqueles dias em que o Paradoxo era mais uma ameaça do que uma certeza; nós sobreviventes tivemos que reconstruir muita coisa do nada. De minha parte, era meramente um aprendiz quando movemos Doissetep para sua localização atual, e minha sobrevivência teve mais a ver com sorte e incompetência, temo, do que com habilidade mágika. Conforme as décadas se passaram, nossos trabalhos na Terra ficaram mais difíceis e mais arriscados; muitos permaneciam o tempo todo no Reino. Quando tinha quarenta e quatro, tivemos uma visita - Mestre Baldric LaSalle, da Casa Tytalus - que nos trouxe notícias importantes sobre um iminente Tribunal, uma Grande Convocação de Magi de todo o mundo.

As lições dos anos passados nos ensinaram que a sobrevivência está na cooperação. No meio de muitos protestos, enviamos uma delegação para o local de reunião, um Nodo chamado Caverna Ominorum, nas ruínas de um pavilhão Romano. Fui escolhido para ir com eles. De lá, eventualmente viajamos para o Horizonte, o Reino onde a Convocação começou. Por toda a tristeza que testemunhei e os anos tediosos que resisti, nunca me arrependi daquela jornada. Foram quase dez anos até voltar a ver minha Capela novamente, mas aquele período que eu tive, no Local de Reunião do Horizonte, testemunhei todas as maravilhas do mundo.

Mil de Magi reunidos! Mais de mil, talvez; nunca vi números precisos para aquela vasta multidão de humanos Despertos, bestas e custos, meramente sabia que era vasta. Num Reino esculpido a partir da Forças Primordiais, retiradas de nove locais sagrados escolhidos por aqueles que fundariam nossas Tradições, vi as muitas faces do Um encarnado. Não tive dúvida, no primeiro momento em que cheguei lá, que tal multiplicidade poderia esmagar o crescimento Tecnocrático e libertar nossa Realidade de suas limitações. Como eu estava errado, quão tolamente ingênuo, para acreditar que a força e números apenas poderiam recuar as mudanças que caíram sobre todos nós! A Ordem da Razão podia ter sido pequena em comparação ao nosso grupo, mas eles tinham unidade e propósito com eles. Nós tínhamos divergência, ambição, orgulho, e uma miopia etnocêntrica que nos custaram anos preciosos mais tarde quando as terras dos Oradores dos Sonhos foram conquistadas. Não é sempre o número ou a força que molda a realidade, vê. Firmeza de propósito é normalmente o bastante.

Contudo, a Convocação foi maravilhosa enquanto durou; certames, normalmente combatidos pelos padrões de etiqueta que foram estabelecidos, irrompiam diariamente, e o Salão Comum zumbia com uma multiplicidade de línguas Babilônica - idéias encarnadas, expressadas em mais maneiras do que a mente pode abraçar. Um sacerdote espanhol poderia ser visto falando com um xamã mais negro do que o manto do clérigo, e eles podiam tanto entrar em acordo ou não. Um dragão Franco podia ser visto trocando sopapos com um urso cinzento maior do que qualquer ursídeo vivo hoje em dia. Centenas de símbolos sagrados embelezavam os corredores que podiam levar de uma planície deserta par um penhasco Nórdico. Era milagroso - não menos! - e embora isso possa parecer curioso para os magos viciados em televisão, RV, viagem intercontinental e com as Nações Unidas, era absolutamente sem precedentes.

A Convocação terminou com a aceitação das Resoluções e a formação da Primeira Cabala. Nossa unidade acabou quando a mesma Cabala retornou em ruínas. Desde o dia em que o Grande Traidor foi disperso, nosso Conselho tem sido o mesmo. Quando eu retornei a Doissetep, ela era coração e fúria opressivos que não se abateram até hoje. Na minha juventude, senti que tínhamos errado, e que gastamos nosso tempo e esforços em gestos grandiosos. Estava errado. Sei disso agora.

local original: The Fragile Path - Testments from the first Cabal
nome original: desconhecido
autor(es): desconhecido
tradutor(es): Dr. Orlando

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