A Trilha Frágil


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


HISTÓRIA DE FUNDO:

Tempus Dicit; Sapientia Audit

Por Mestre Porthos

Por favor me perdoem por uma presunção momentânea; sei que poucos dentre nós lêem a língua Romana nos dias de hoje e poucos ainda se importam com as lições do passado. Mas a graça do Latim está em sua simplicidade musical. Como o próprio ato da magia em si, o tom das palavras carrega sabedoria além da mera substância. Uma tradução mais literal, "O Tempo fala, a sabedoria ouve", carece, sinto eu, da musicalidade desta grandiosa língua.

Por outro lado, esta impressão romântica de uma raça guerreira (até a palavra "romântica" reflete esse preconceito) crê na verdade por trás de suas ações; os próprios Romanos foram ladrões comportados pela nossa moralidade moderna, roubando território, cultura, religião, filosofia e escravos vivos de toda terra que eles invadiam. Pelos padrões de nossa era, eles eram bárbaros (assim como os grandes Atenienses antes deles); como arquitetos de um mundo indomável, eles foram apenas pragmáticos. Há uma lição nisso para nós, uma lição que tenho vivido por mais de cinco séculos.

Essa lição não é a glorificação da impiedade, embora muitos de meus rivais discordassem; é uma verdade simples, até óbvia: ideais e moralidade são tão mutáveis quanto a Realidade que os Despertos comandam.

Contudo, um fundamento único, uma moralidade comum, tem apoiado toda sociedade, desde os primeiros homens das cavernas aos palhaços Vitorianos dos Tecnocratas:

Não Roubarás da Tua própria Espécie.
Não Mentirás para Tua própria Espécie.
Não Assassinarás Tua Própria Espécie.
Saberás que Algum Propósito Superior guia cada passo Teu.
Não cuspirás no prato em que comestes.

(Perdoe a terminologia... eu divaguei, como meu pupilo Mahmet sempre me diz, em anacronismo para deixar claro meu objetivo. Contudo, você deve admitir, que grandes pensamentos perdem algo em traduções comuns.)

Como eu disse, esses são conceitos universais, os pilares de qualquer sociedade que espera sobreviver por um longo período. E em nosso mundo moderno, eles se desmancharam como lenha na fogueira vira cinza. E como cinzas eles foram espalhados ao vento.

Isso não é novidade, meus amigos; nossos primos Vazios e contemporâneos Nefândicos celebram nossa queda prevista em suas músicas, roupas e filmes favoritos. Todos nós, desde xamãs nômades aos vingadores Tanatóicos, sentem o toque gélido da Entropia parando as engrenagens de nosso mundo. Dissipamos nosso prêmio, nós Sapiens, ao jogar fora a moralidade e visão que é nosso legado. O mundo como conhecemos está morrendo, e a culpa é parcialmente nossa.

Agora, para não parecer algum pregador de rua mortal, permita-me caracterizar isto: nós vimos dias assim antes. Muitos períodos passados, a mão coletiva dos deuses considerou adequado retroceder o relógio, concedendo à nós outra chance para cumprirmos nosso Destino. Nosso Mundo, efêmero enquanto possa parecer, não morre facilmente. Nossa espécie, humanidade, já é outra coisa. Nosso controle da existência, embora pareça potente, é algo tênue, facilmente destruído por um pensamento descuidado ou um gesto suicida. Somos, no grande esquema das coisas, dispensáveis. É sobre nossos princípios, nossa moralidade, que surgem tanto de nosso Eu Divino e da preservação do eu, que dependem nossas frágeis vidas.

Posso ouvir seu risinho, sabe. Mesmo aqui, em minha mesa, sinto seu descaso até quanto coloco a caneta no papel. A moralidade é uma piada, você poderia dizer, desprezada por sacerdotes e renegados. E você estaria errado. A moralidade, algum senso de propósito e princípio, é tudo que nos afasta do oblívio. Nós Despertos, de toda a humanidade, deveríamos saber tudo isso. Tais princípios não estão mortos, não importa quão ruim sejam as circunstâncias, até que nós os enterremos em nossa própria cova. Como disse, vimos - vi - dias mais sombrios antes; a escuridão tem sido nosso fado desde o início dos tempos (se, de fato, o Tempo tenha tal início).

Enfrentamos, como espécie, como almas iluminadas e Despertas encarnadas, períodos assim antes. Podemos não ter triunfado sempre, mas sempre permanecemos.

Nossos rivais diriam o contrário; que um busca prender o Mundo nos grilhões Tecnocráticos enquanto que os outros desejam arrastá-Lo para o caos ou a destruição. Todo grupo declararia vitória; nossa existência persistida como Conselho Místico, contudo, prova que eles estão errados. Por cinco séculos, quase uma dúzia de períodos de vida, tenho presenciado nosso Conselho erguer-se, cair e erguer-se novamente. Nesses dias de Crepúsculo, detemos um poder que não conhecíamos desde a formação de nossa Irmandade (ou Sociedade, ou qualquer termo que passe por correto nesses dias de conflitos de gêneros...). Apesar dos pesadelos ciber-mágikos que espreitam nossa espécie nas ruas e nas vilas, eu sei que isso é verdade. Eu estou aqui desde nossa formação, veja você, desde a Grande Convocação de 1466, e conheço nossos altos e baixos como poucos magos vivos.

local original: The Fragile Path - Testments from the first Cabal
nome original: desconhecido
autor(es): desconhecido
tradutor(es): Dr. Orlando

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