Um Tom mais Sombrio


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


“…I’m a falling stone in a world of Glass…”

Tristania

Sabe, esses dias estive pensando em como o cenário de mago é as vezes levado de forma tão leviana. Existe muita discussão sobre como a mágika funciona, como os paradigmas são formados e principalmente sobre os sectos místikos, mas no meio de tudo isso esquecemos de como a mágika é perigosa e como ela simplesmente destrói o mago aos poucos. A mágika é algo instintivo, e o despertar cria uma nova visão no magi, uma visão que mostra como ele pode afetar a criação com sua vontade, como ele pode tentar moldar o mundo aos poucos e através de sua recém descoberta habilidade realizar todos os seus sonhos. O único problema é que a mágika também é caprichosa e imprevisível, o mago afeta a realidade mas existe a margem de erro, existem as conseqüências que simplesmente não estão sobre o controle do magus, conseqüências que machucam e destroem sua vida lentamente. O paradoxo é um elemento que poucos pensam em como pode alterar um mago. os erros e os riscos das forças que a mágika lida também não são enfatizados, devemos sempre lembrar que , quando lidamos com mágika lidamos com a interação entre o mundo do mago e o mundo exterior. Um mundo exterior que está fora do controle e guarda segredos maiores do que qualquer mente mortal pode lidar e um mundo interno cheio de medos, traumas e um inconsciente ativo.

Acho que essa matéria pode ser algo que muitos não vão gostar. Eu entendo perfeitamente o motivo disso. Estamos todos acostumados a ver o cenário de mage como algo um pouco mais claro que o resto do World of Darkness, a mágika existe e portanto a esperança de vitória permanece. O clima de vontade sobre realidade é uma paródia para o gênio da lâmpada em muitas mesas. Os personagens simplesmente são capazes de conseguirem o que querem sem muito risco. Todo o misticismo que foi intentado no jogo se contorce em uma nobre luta entre aqueles que podem tudo. Não existe, na maioria dos jogos de mago, um destino certo e a mágika liberta todos das dificuldades e mecanicidades do universo. Essa visão, numa analogia rápido com os outros cenários, é uma característica única de mago, mas um característica que destoa de conceitos que, em muitas situações, seriam os mais racionais.

Como sempre menciono, não existe um mago único e com uma interpretação certa, essa matéria apenas visa atentar narradores e jogadores para um lado mais sombrio do jogo. Sinta-se livre para descartar tudo isso como lixo, ou utilizar de forma alterada e distorcida o que foi exposto na matéria. O jogo é seu a mágika é sua...

Ela não ia ser pega novamente. Ela não ia ser colocada naquela sala de novo. não como eles haviam feito da última vez. Aqueles bastardos não iam tocar nela dessa vez.

Trish corria em meio da multidão de adormecidos, eles pulavam e cercavam a magi inconscientemente. Corpos extasiados por todos os lados, uma parede de braços pernas e roupas pretas que parecia tentar esmaga-la conforme a bateria aumentava. Ela estava desesperada por não conseguir passar pela multidão, centenas de pessoas vieram ver o show e conforme se aproximavam do palco iam imprensando uns aos outros contra as grades. Eles eram tantos que, para uma garota baixa e mirrada como ela era quase impossível fazer alguma força. Com seus spikes ela machucava tantos os que se amontoavam a sua frente quanto a si mesma, ela cortava os que podia como se estivesse a tirar plantas do caminho . Seus braços já doíam de tanto puxar e empurrar pessoas. Alguns olhares e reclamações, conforme ela ficava mais e mais desesperada chegava a machucar de verdade, sentiu sangue nos seus spikes, tanto seu quanto de uma garota que gritou de dor ao ser “apunhalada” na coxa . Eles não sabiam do perigo logo atrás dela. Esses idiotas só queriam continuar pulando e se jogando contra ela. Não sairia dalí a tempo de fugir dos engravatados. Não com todos eles. Conforme continuava batendo nas pessoas por passagem Trish olhava pra trás e os via se aproximando. Eles eram tão sutis. Tão leves que passavam sem amassar o terno em meio a todos eles. Avançavam ao triplo de sua velocidade sem realmente tirar ninguém do lugar. Ternos baratos, gravatas...pontos moveis. Os desgraçados simplesmente estavam disfarçados de seguranças para não chamar a atenção. Ela sabia melhor. Ela não ia ser enganada tão facilmente.

Antes mesmo que possa pensar eles a alcançam. Grandes e fortes, ela sente suas mãos pegarem-na pelo ombro e quase esmagarem seus ossos com o polegar. Ela tenta revidar mas eles são muito maiores e mais brutos. Ela consegue sentir o cheiro de desinfetante da sala de tortura conforme eles tiram-na da multidão. Ela consegue ver as agulhas e ouvir a série de perguntas. O desespero aos poucos aumenta enquanto o maxilar dela é espremido contra o braço de um deles. Com brutalidade ela é imobilizada e retirada da multidão. sente seu ombro trincar e uma dor horrível. Seus gritos são abafados no terno enquanto o cheiro de sua saliva se mistura ao perfume barato deles. Ao lado dos banheiros ela é arremessada no chão por um dos brutamontes. Sua face expressa desgosto conforme ajeita seu terno que agora estava sujo de sangue e saliva.

A magi estava lá largada no chão. Seu corpo doía e ela paralisava diante das lembranças do que tinham feito com ela na sala de interrogatório. Os dois eram tão grandes que ela mal conseguia olhar por eles. Tudo que sentia era a dor, o medo e o cheiro de urina que vinha do banheiro ao lado.

Uma nota sobre as fontes de inspiração para a matéria.

Ultimamente tenho sido bastante influenciado pelas séries de livros ‘revised’ do Jogo Vampiro: A máscara. Mesmo sendo um irmão da linha de jogos de mago, e, tendo alguns conceitos parecidos, ele oferece material para se construir um jogo sombrio e baseado em conflitos morais de criaturas que, mesmo parecendo ser, não mais são humanas. Existe, lamentavelmente, mais misticismo dentro de um jogo criado para vampiros do que na maioria dos cenários criados para mago. Maldições, profecias, taumaturgia e o terror de um mundo que simplesmente não é o que parece é mais presente nesse jogo, que tem esses conceitos paralelos ao choque moral entre a besta e o homem , do que o jogo que, por próprio caráter, lida diretamente com o ocultismo puro.

Falta em algumas mesas de mago (incluindo muitas vezes a minha própria) o esoterismo que é proposto pelo jogo. Em mago o cenário é simplesmente tão cercado pelo sobrenatural que o mundano se torna algo raro, uma perda lamentável. Com tantos espíritos e maldições sendo usadas levianamente difícil é, para qualquer narrador, manter um clima para um jogo que reflita o poder da mágika. Espero que, para aqueles que compartilhem de minha opinião, o que vem a seguir ajude a reformar a nossa forma de pensar no WoD de Mage, e assim, trazer devolta a magia à mágika .

Parte 1 - Um tom mais sombrio
Ponto 1 - O magus
Ponto 2 - O universo
Ponto 3 - A mágika e o Paradoxo
Parte 2 - Conhecendo suas ferramentas
O sonho
A premonição
O avatar

local original: Page of Mirrors
nome original: Um tom mais sombrio
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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