Uma interpretação para Espíritos


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Definitivamente era um lugar aconchegante. Lucy se espreguiçava um pouco ao mesmo tempo que procurava continuar com sua linha de raciocínio. O café era freqüentado por outros Goths além de Lucy. Eles entravam e saiam das pequenas mesas encrustadas naqueles sofás típicos de restaurantes velhos. Discos antigos pendiam das paredes e se enfileiravam como fotos de família. O lugar cheirava a madeira e verniz, um cheiro comum em coisas velhas, aroma que era um atrativo aparte para aqueles jovens que, conversando e fumando davam uma mórbida alegria ao ambiente. Várias outras lojas na vizinhança haviam fechado por falta de clientes mas algo nesse estabelecimento parecia lutar por sobreviver ao tempo. Estava aí mesmo antes dos atuais freqüentadores terem nascido e parecia querer permanecer mesmo depois que todos eles encarassem sua tão adorada morte. Sioux tocava ao fundo levemente, e a máquina de cappuccino não parava de encher as xícaras e deixar no ar um novo e elegante aroma de café.

Era como uma nova casa para Lucy, ela sempre se refugiava de seus problemas na mesa do canto, a sua mesa do canto. Perto da entrada para o banheiro e dividida com uma placa rústica de madeira trançada era um dos poucos lugares privativos. O problema do qual ela fugia na verdade era algo que desejava entender melhor. Fazia três dias que ela sonhava com sua irmã, três dias em que ela via várias casas de conhecidos e sua antiga professora. Os sonhos se acumulavam profeticamente procurando dizer algo a jovem magi. Ela já consultara sua Instrutora, mas Agnessa não sabia nenhum truque que pudesse ajuda-la. Tudo que ela falou foi sua tradicional Frase: “a resposta de seus problemas estão aí dentro, basta você pensar um pouco que vai achar um jeito.”

Como se tudo fosse tão fácil.

Olhos negros, cabelos negros, roupas negras, cordões de prata, lenços, maquiagem pesada, expressões de morte... Uma paródia em que a vida imitava a morte. Os olhos de Lucy deslizavam por sobre aquelas faces desconhecidas, porém mais do que familiares. Seus pensamentos estavam perdidos e sem mesmo perceber a ironia de todo o teatro ela julgava os seus iguais, como se fosse mera espectadora ela olhava seus modos e escutava suas conversas. Sua mente percorria um processo já tradicional de deslocar-se de todos os conceitos usuais entrando no domínio do inspiracional. Ela procurava nas figuras adiante uma forma de solucionar seu problemas, ela buscava exteriormente como um reflexo de sua busca interior. Entre o coral de diálogos paralelos que permeava o café uma voz parecia surgir formada por fragmentos da canção que era entoada. Lucy ouviu sem realmente prestar atenção na origem mas logo se sobressaltou arregalando os olhos e quase derrubou café em sua própria roupa.

- Eu posso te ajudar...

Todos nós estamos cansados de ver e ouvir falar de espíritos, da umbra e de todos os reinos espirituais, mas pouca coisa realmente tem sido feita para explorar o potencial de aventura dos espíritos como personagens coadjuvantes. Na maioria das campanhas os espíritos são utilizados como forma de conseguir favores ou ferramentas úteis em mágikas de ultima hora. A complexidade desses seres é grande e eles podem ser utilizados com maestria quando se quer criar simbologia. Como formas efêmeras de se representar um conceito ou objeto eles são a perfeição em termos de gancho. Você pode aplicar de forma simples e pura um conceito para sua crônica.

Os espíritos vem de diversas formas e podem ser tão misteriosos quanto for desejado. Na maioria das vezes é oferecida uma interpretação indígena dos espíritos, eles quase sempre são colocados como animais e formas tribais. Essa visão em particular não me agrada, assim como inspira outros. Mas devemos lembrar que um espírito tem a forma que nós quisermos que ele tenha, e a flexibilidade que ele apresenta é enorme.

O principal para criar um cenário interessante é lembrar-se que cada um dos seres da umbra encarna uma forma de ideal ou conceito, e devemos nos prender a isso. Todo o resto é livre para interpretação e pode formar as bases de um grande personagem.

Os espíritos que vou apresentar aqui são baseados numa interpretação com forte influência das revistas do Sandman (cujo personagem sugerido não passa de uma cópia descarada). Os que tivessem oportunidade de ver a revista deveriam faze-lo pois ela pode servir como grande fonte se inspiração.

A verdade era que ela nunca iria se acostumar com a sensação. Mais de uma vez ela já havia atravessado a barreira entre os mundos mas a sensação seria sempre desconcertante para a ainda inexperiente magi. A voz fora sintetizada de algum outro nível espiritual que não o café físico. Ela conseguiu sentir o impacto daquele fenômeno. Seu corpo ainda tremia um pouco devido a sua reação. Ela aos poucos tentava recitar os versos que fariam expandir sua visão. Era um fenômeno de inspiração, uma criatividade que a colocaria em sintonia com outros mundos, além da venda que os adormecidos usam para se esconder da vida não material.

Quanto mais ela se aprofundava nas diversas camadas do espírito do bar ela se deparava com a criação de seus colegas. Todo o lugar ia ficando mais e mais sombrio e aconchegante, a Penumbra era mais que fascinante com as figuras que pareciam se mover em meio as sombras do lugar. Várias caricaturas do que eram seus amigos vagavam resolvendo suas vidas em meio ao lugar. Figuras com roupas pretas, cabelos da mesma cor e máscaras de um branco límpido andavam como se imitando a própria morte. Talvez a morte em pessoa estivesse entre eles mas pouco importava a Lucy não era ela que havia falado, havia alguém sentado na frente dela.

Jovem, cabelos beirando o ombro e um olhar penetrante, a adolescente que se refletia na visão de lucy era branca e esquia, suas linhas eram finas e magras. As maçãs de seu rosto eram ligeiramente avermelhadas recobertas, assim como seu nariz,com sardas. Um Ankh parecido com que a própria magi usava se prendia num colar de prata no pescoço da garota. Ela havia falado com Lucy, e agora a mesma havia vindo a seu encontro.

- O que você quis dizer com aquilo?

Lucy pergunta olhando firmemente nos olhos negros do espírito a sua frete. O espírito sorri levemente cruzando os braços sobre a mesa.

O Espírito 

Os espíritos podem gerar bons personagens. A famílias e as congregações podem ser úteis como um grupo de personagens coadjuvantes ou mesmo como um grupo de antagonistas. Um espírito pode ser interpretado como nada mais que uma fonte de recursos ou parte de um cenário porém é um desperdício de um incrível personagem. Dar individualidade ao seu espírito realmente pode ter grandes repercussões no seu jogo. Tente cria-lo como um personagem qualquer, com natureza, comportamento, background e objetivos de vida, depois escolha um tema e veja como ele se conecta a esse personagem. Espíritos nascem com vários níveis de consciência mas existem aqueles que possuem exatamente a consciência de um ser humano sendo bons para a caracterização. Existem os espíritos com consciência próxima dos animais e estes devem ser tratados como “recursos”, mas um entrosamento com os espíritos conscientes pode gerar mais clima na sua campanha.

A individualidade de um espírito deve ser interpretada como a de um personagem comum. Como a maioria dos coadjuvantes os espíritos podem dar pistas ou mesmo gerar apenas histórias paralelas interessantes. Coloca-los como amigos próximos dos personagens podem dar ganchos inesperados para a campanha. Um espírito tem família e amigos que podem ser contatos mas também tem inimigos e pessoas que não gostam deles. Um espírito dentro de uma congregação possui uma vida própria e pode criar problemas assim como um ser humano criado dentro de seu meio social.

As cinzas e as marcas de fumaça ainda estavam altos em meio ao que tinha restado do segundo andar do Prédio. Um incêndio havia consumido quase tudo por ali. Lucy andava com cuidado com medo do que restou do assoalho desabar devido aos danos causados. Depois de todo o fogo e calor o frio da água dos bombeiros tinha transformado tanto as tábuas de madeira quanto o que havia restado da cera por sobre as mesmas em uma enorme armadilha para qualquer um que resolvesse dar um passo precipitado.

Placa havia sido bem sucinta sobre o que queria em troca dos favores prestados. Ela queria seu antigo diário.

Lucy ainda estava perplexa com toda a história, nunca havia passado pela sua cabeça que esse tipo de coisa acontecia aos espíritos, ela pensava que a guerra era algo meramente mortal. Alias ela era bastante ignorante quanto a vida dos não-materiais. Ela sentia-se idiota por nunca ter concluído que os espíritos faziam mais que assombrar os cafés e ruas durante a chuva.

Conforme entrava no que um dia fora um quarto ela sentiu novamente um estranho arrepio. Tudo parecia ainda estar quente e ela conseguia ouvir em sua mente os gritos de todos que haviam morrido lentamente conforme o fogo os consumia. A história era impressionante. Toda uma congregação de não materiais afiliados a guerra tinha entrado no prédio procurando poder na dor de todos aqueles mortais que eram torturados. Pelo que Lucy entendeu todo o lugar era parte do esconderijo da máfia, que por sua vez tomou o lugar de um antigo “centro de diversões para Adultos”. Placa, o espírito que havia oferecido ajuda, morava no lugar se sustentando à partir de uma das garotas e de seu diário. Lucy não sabia ainda ao certo o que Placa representava, mas estava ligada ao sonhar pelo visto, afinal ela tinha prometido falar com o próprio Sonho sobre seu problema.

Com toda certeza era estranho entrar nesse jogo de favores com os espíritos, Agnessa já havia avisado para não se envolver além da conta mas talvez essa fosse a solução que ela procurava. Além do mais as chances de se encontrar com a própria encarnação do Sonho eram poucas nesses últimos dias, encontrar placa, que era uma filha próxima foi uma das jogadas de maior sorte que ela já dera.

Achar o diário foi bastante fácil, estava exatamente onde Placa havia falado, debaixo de uma das tábuas sob o que havia restado da armação metálica da cama. Lucy sorriu um pouco quando a madeira cedeu e ela puxou o pequeno livrinho de capa de couro. Estaria tudo bem se não estivesse tão quente. Tão quente que... Conforme a mesma estranheza que a afetou no bar subiu por sua espinha Lucy descobriu que sua proteção havia caído os novos donos da casa haviam chegado. E com o surgir de uma pequena labareda em pleno ar ela simplesmente soube que sair seria bem mais difícil que entrar.

As famílias e congregações 

Os espíritos são nada mais que emanações de um conceito qualquer, assim como os humanos nascem de um casal os espíritos são formados à partir do corpo um dos outros. Espíritos iguais existem mas eles são todos criados à partir de uma variação qualquer de um conceito principal, quanto mais abrangente o conceito mais poderoso o espírito, e quanto mais limitado mais abaixo na família ele está. Os espíritos podem ser visualizados como famílias que derivam dos grandes encarnas ou deuses espirituais até seres menores como os servos e espíritos semiconscientes presentes nos objetos.

Um encarna cria um espírito de menos poder que por sua vez possui a capacidade de criar servos que também podem fazê-lo. A limitação está no fato que quanto mais longe está o espírito do encarna, menos consciente ou menos poderoso ele será. Um encarna que represente o céu pode criar espíritos do ar que por sua vez pode gerar espíritos do furacão que gera a brisa que pode gerar o orvalho que por sua vez pode gerar o espírito representando a gota. As famílias não precisam sequir uma ordem racional sendo totalmente guiadas pela inspiração do narrador, normalmente incluindo elementos que tenham algum laço de afinidade. Espíritos iguais podem ter aparências e personalidades diferentes, sendo uma representação da tempestade diferente de outra, eles apesar de tudo são indivíduos que muitas vezes possuem vontade própria.

As congregações são como as cabalas ou círculos vampíricos um grupo de espíritos que tenham ou não afinidade se juntam para beneficio mútuo. As congregações normalmente se formam em reinos, são os espíritos que habitam um local. Espíritos que possuam suas origens próximas normalmente criam vínculos. Congregações também podem ser formadas dentro de um caern. Os nodos são locais de baixa película onde os espíritos tendem a se juntar para poder resolver seus negócios na terra. Congregações são facilmente encontradas em tais lugares. Como os magos também tendem a se encontrar em um caern pode ser de certa forma inevitável um encontro com tais espíritos.

Uma família pode operar da forma que o narrador desejar, com os espíritos sendo um grupo unido ou um local de intriga cheia de competições por poder e atenção.

Seu braço ainda doía quando ela chegou ao Parque, ela se perguntava se ainda havia tempo, o sol estaria cruzando o céu em menos de uma hora e depois do trabalho que teve ao entregar o livro para Placa o mínimo que ela merecia era que o trato fosse cumprido. Dar uma de Fausto, era assim que alguns de seus amigos chamavam o que ela tinha feito hoje. Mas ela esperava que pelo menos a audiência fosse produtiva.

O parque estava coberto de folhas de outono e um vento frio cortava carregando algumas delas consigo. Lucy tremia pelo contraste de temperaturas, um pouco de sangue corria pelo seu ferimento aberto , a dor era menor conforme a sua cabeça voltava a girar devido a presença que caia sobre o local. Ela estava de frente para uma enorme estátua de Caravela, cercada pelas arvores, cujas sombras começavam a girar a sua volta. Ela olhava atônita para a cena conforme o vento circundava-a formando uma cortina de folhas, a noite parecia cantar e as Luzes dos postes piscavam como se eles estivessem ligando agora. Uma penumbra recaiu sobre a magi e tudo a sua volta, ela aos poucos se intensificava acima da caravela e como se lascas de vidro voassem num estrondo sobre Lucy ela sentiu uma onda de Impacto e um enorme estalo. Ela estava completamente tonta no final, caída sobre as próprias pernas no chão. As sombras continuavam porém havia paz e silêncio. Da enorme nuvem negra por sobre ela era possível se discernir os contornos de um homem. Despenteado e de olhos negros, ele descia magro e com roupas amarrotadas, sua presença era intensa e subjugava totalmente a mente de Lucy, ela olhava como se presa por encanto conforme ele aparecia cada vez mais nítido sentado sobre a estátua. Ele olhava para as árvores com profundas olheiras e num segundo, como se quebra-se todo seu fascínio fitou Lucy. Seus olhos eram negros, mas não era uma escuridão natural, era algo sobrenatural como se ali houvesse a entrada para o enorme vazio que existia dentro da criatura, como se todo o vácuo e o vazio estivessem ali contidos. Ele sorri, um sorriso leve, mas insano completamente desconcertante .

- Me chamou Lucy?...venho esperando bastante pra falar com você...creio que tem perguntas.

Lucy está confusa, ela não se sente bem, como se um erro houvesse sido cometido. Está insegura e completamente indefesa, o ferimento não é nada apenas a sensação de grande erro percorre seu corpo. Ela está como Fausto, e perplexa fica sem palavras. Como se elas tivessem sido roubadas de sua boca pela energia que corria pelo lugar. As sombras nos olhos dele pareciam querer engoli-la.

Ele ri, ri alto e de forma violenta, como se lê-se os pensamentos da garota, e em sua risada ele se mostra cruel... cruel como Lucy jamais imaginou...

As relações

Espíritos podem ser tratados como indivíduos com interesses e vontades próprias. Como uma forma de vida diferente esses interesses podem ser um pouco alienígenas para os mortais, mas da mesma forma que nossos sonhos e desejos nos afetam, eles vão acabar afetando a vida espiritual. Espíritos se relacionam uns com os outros muitas vezes mais freqüentemente que com o próprio mundo material e criar seu próprio panteão de relações harmônicas e desarmônicas pode gerar bastante profundidade em seu jogo. A sociedade espiritual pode ter variações desconhecidas com relação as sociedades mais mundanas, porém as nossas formas de relações estão presentes entre grande parte dos espíritos. Amigos, inimigos, amores e ódios preenchendo os espíritos de um cenário podem dar um charme extra a sua campanha além de gerarem frutos para histórias paralelas.

As relações entre famílias e congregações podem ser realmente interessantes, uma família pode ser unida o suficiente para imprimir suas motivações sobre uma congregação de espíritos que viva em um local de interesse através dos membros dessa família presentes na área. Os espíritos possuem sua própria corte e o poder é um dos desejos mais comuns entre todas as criaturas viventes. Num nodo ou caern pode haver um conflito de interesses entre várias facções que desejem uma modificação no local. O conceito de maleabilidade da umbra pode gerar bastante intriga ao se lembrar que muitos espíritos nascem por processos de geração espontânea. Sendo uma espécie de Abiogênese espiritual, o produto do clima de um nodo. Em um nodo que seja selvagem, espíritos selvagens serão gerados e por sua vez essa família de espíritos se fortalecerá com novos membros. Essa premissa pode fazer com que haja conflito de interesses entre diversos espíritos fazendo com que áreas de grande poder sejam disputadas. Assim como despertam, espíritos adormecem, e a guerra entre eles é uma batalha visando adormecer o maior número de espíritos de um determinado tipo, de modo a enfraquecer a família ou congregação inimiga. Espíritos da cura precisam de locais pertencentes a cura para se rematerializar depois de terem adormecidos assim a guerra por território gera a base do poder das famílias. Os espíritos também se alimentam. Conforme gastam seu poder eles precisam ir a algum lugar que possua afinidade com seu significado pra poder extrair energia. Muitos espíritos acabam mudando de forma e significado devido a escassez de locais afins. Um espírito que se transforme normalmente se adequa ao ambiente. Muitos dos espíritos urbanos e espíritos corruptos surgiram à partir das transformações de espíritos já existentes. A luta por locais para se recarregar também é muito evidente entre as congregações e normalmente são feitos pactos dentro de nodos para se assegurar paz.

As relações entre os mortais e os Não materiais são várias. Como uma das principais forças de mudança presentes na construção da umba, os mortais são uma força que também afeta os espíritos. Quando um grupo de mortais se dedica a algo eles criam uma imagem na umbra, e se essa dedicação for forte o suficiente esse local pode gerar poder para espíritos afins. Os espíritos capazes de manipular e entrar em contato com os mortais são armas poderosas durante tempos de desavenças. A muito existe um canal de relações aberto entre os poucos espíritos que se comunicam com mortais e seus invocadores, pactos e acordos são a principal arma dessas negociações. A troca de “favores” é estritamente relativa ao propósito de ambas as partes. Uma vez que se entra no jogo de favores é difícil sair. Os poucos mortais capazes de estabelecer comunicação são valorizados.

Espíritos podem conceder favores relativos a sua natureza e aos elementos que controlam ou podem usar favores e tratos que tenham adquirido entre si para levar os pedidos de um mortal para uma entidade capaz de concretiza-los. Quanto maior o favor maior a entidade necessária e maior vai ser o custo para ambos os lados. A maioria dos espíritos não dá a mínima para os mortais mas existem grupos que fazem do comercio fonte de recursos. E quase todas as famílias possuem congregações de espíritos capazes de realizar mudanças físicas. Esses espíritos são valiosos por sua natureza e só existem em lugares com alta ressonância favorável. Mortais que queiram entrar no mercado de favores devem pesquisar para achar o espírito capaz de desempenhar a ação requerida.

Atualmente os espíritos foram afetados pela onda de descrença e aos poucos vão adormecendo perante a falta de sentimento dos mortais e o surgimento de famílias que se alimentam da descrença é capaz de acontecer em pouco tempo. O espaço habitado pelos espíritos na penumbra e em todas as partes da umbra rasa tem diminuído e gerado conflitos. Após o endurecimento da película poucas ações diretas podem ser tomadas para mudar o ambiente material sendo necessário trabalhar apenas de um lado, contendo as conseqüências ao invés de trabalhar as causas que residem na terra. Num ambiente como esse o contato com magis, lupinos e qualquer um que possa ajudar tem sido importante antes que os domínios da terra sejam totalmente dominados pela estase e pela película. A luta de várias famílias contra as enormes famílias geradas pela estase e entropia pode ser um tema interessante assim como o início da transformação de famílias espirituais em entidades canibais que se alimentam da descrença e de outros espíritos. As intrigas das cortes celestiais podem ser uma forma interessante de se iniciar crônicas com magis com a esfera espírito, lobisomens ou mesmo vampiros capazes de tocar a umbra. Adormecidos capazes de contatos são extremamente valiosos por serem peões sem outros objetivos ou poderes e as cortes normalmente correm para tomar conta dessas exceções aos tempos de decadência que corroem a crença humana.

local original: Page of Mirrors
nome original: Uma interpretação para Espíritos
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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