Uma noite de lições:
A Casca Realidade


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


Justin tentava manter seu raciocínio o mais livre possível de qualquer opinião formada, Mas o tom do discurso de Claire deixava-o intrigado. Era estranho pensar nela tentando converte-lo para qualquer que fosse a religião. Ele se conhecia bem e, apesar de não admitir, sabia que a única coisa que o segurava ali era a forma com que tudo que ela havia feito mudou sua vida. As coisas que ele havia visto... As ilusões não eram totalmente inexplicáveis, ele estava na beira do maior orgasmo de sua vida deveria ser natural a mente dele se entorpecer...Natural...

Claire sorria novamente seus olhos faziam aquilo de novo. Ele se sentia nu como nunca esteve antes. A vergonha que sentiu na primeira vez que deitou na poltrona ressurgia mas era logo afastada pela descrença. "Ela não está lendo minha mente isso é impossível!"

- Nada é impossível.

Os olhos de Justin arregalavam em surpresa. Ele ria um pouco nervoso procurando ironizar a "coincidência". No fundo ele sentia e, calmamente, sabia que aquilo estava realmente acontecendo, mas alguma parte dele se desesperava com a possibilidade.

- Sabe, eu estava pensando exatamente nisso!

- Eu sei.

Claire sorria maliciosamente pegando uma das mãos de Justin e beijando levemente. O coração dele acelerava em tensão. Se sentia idiota, não entendia o por que daquilo. Era impossível. Ninguém lê mentes, ela apenas o conhece bem o suficiente para saber o que sentia.

- Você já sentiu que podia fazer o impossível Justin? Já sentiu quando era criança que podia voar como o Super-Homem ou escalar paredes com o homem aranha? Já pensou que talvez as pessoas pudessem ler a sua mente ou que realmente pudesse falar com o espírito do seu carro?

- Claro... Justin se tolhia na vontade de falar que eram apenas fantasias de criança. Maya, ele lembrava. Não deveria concluir seu raciocínio ainda.

- Era verdade... Você sempre pode voar e escalar paredes. As pessoas lêem mentes quando querem.

- Claire?! A voz dele era um pouco desconcertada enquanto ele tentava ocultar sua confusão numa nova risada amarela.

Uma parte dele lutava contra tudo que ouvia. Pensamentos lutavam para emergir dando justificativas sobre o porque daquilo não ser verdade. Justin sentia milhões de argumentos e um ultraje tomar conta de sua mente. Avisos de "isso está ficando muito estranho" chegavam de todas as partes de seu ser. Ao mesmo tempo existia um ponto, abaixo de tudo isso que parecia calmo e sorridente por ver toda a confusão. No fundo seu coração lhe dizia que era verdade. Sua mente gritava e esbravejava "é Loucura! Crianças não voam e você SABE disso!".

- Lembra quando eu te falei que as pessoas deixam uma casca crescer?

- Sim...

- Essa casca se manifesta na negação daquilo que é desconhecido. Um ultraje pelo que contradiz o pedaço de Maya que estamos ACOSTUMADOS a ver. Em um nome, essa casca é a Descrença. Vivemos num mundo sem religião, sem artes, sem direito ao verdadeiro amor, enfim, sem alma. As pessoas procuram essas coisas, mas a cultura de negação desenvolve a descrença que impede que cresçamos. Eu sei que nesse momento você deve estar procurando uma forma de me contradizer, aliais já deve ter achado muitas nesse espaço de tempo. Se prenda a Maya só por um segundo. Lembre-se, não deixe ele vencer.

- Ele?

- Sim, Ele. A casca da qual falei é uma parte de seu Eu. É uma segunda personalidade que você deixa crescer para não precisar lidar com o mundo. Escola, família, obrigações e relacionamentos, Ele cuida de tudo pra você enquanto você senta no banco de trás e fica vendo a paisagem. Ele é o medo, o bom senso e a voz da responsabilidade. Ele é a balança que segura no alto da sua cabeça o peso dos riscos e benefícios. Ele é o Justin que está impresso na pequena parte de Maya que você pode enxergar.

-Sabe, a torrente de reclamações só está tentando esconde-lo da verdade maior. Ele não quer que você assuma sua própria vida. Quer continuar julgando por você, escrevendo por você e transando por você. E o que oferece em troca? Segurança.... ele oferece liberdade do inesperado e marca todas as saídas do seu domínio com as cores do medo e da loucura. Justin, você já ouviu que um homem sábio têm medo mas somente um tolo se curva sob ele, não ouviu?

- Sim...

Justin nesse momento encontrava-se no seu segundo dilema. Por um lado ela poderia estar certa, talvez ele estivesse sendo levado pelo medo e o desejo de segurança boa parte de sua vida. Era o que o fazia tremer diante de seu chefe e do que ele pensava. Era o que o fazia levantar e ir trabalhar ou não ir a certos lugares. Ele quase se rendeu ao medo antes de conversar com Claire, medo do que ela poderia ser vestida do jeito que estava. Justin temeu antes de entrar na loja pela primeira vez. E esses medos quase lhe custaram os maiores prazeres que já teve em sua vida.

Por outro lado, as vozes "dele" falavam: Ela pode ser louca. Se você não tiver parâmetros e assumir riscos você pode cair.Pode morrer. Se não trabalhar vai morrer de fome. Ela poderia ser uma assaltante ou poderia ter algum namorado ciumento. Ela poderia tê-lo matado nas vezes que se despiu e deitou de costas pra ela. Se alguém ver essa tatuagem pode achar que você é algum delinqüente e seu emprego está acabado. Se você não tomar cuidado pode perder tudo que conquistou.

-Realmente Justin, você pode morrer. Mas a vida é assim. Nesse momento você poderia estar morto. No local onde estamos podemos levar um tiro perdido. Ou logo que sairmos sermos assaltados. Mesmo que você esteja sem fazer nada pode ter um câncer ou um aneurisma fatal. A vida, como tudo é passageira, mas é tudo que temos.

- Claire onde você quer chegar com isso tudo. O que isso têm haver com crianças que acham que podem voar?

- Xeque! Você está na encruzilhada nesse momento. Eu SEI QUE ESTÁ... onde eu quero chegar você só vai saber se me seguir. Mas para isso você têm que jogar fora seu bom senso, negar os desejos Dele e andar na corda bamba do desconhecido. Eu te digo, você pode voar! Eu já vi como e sei te levar até lá! Você já esteve no Ananda lembra? Antes não acreditava que o mundo era algo além do que via, agora acredita. Mas eu consigo ouvir a voz dele dizendo para você que foi uma ilusão. Ele têm medo de prosseguir é o trabalho dele guardar todos os portões para que você consiga viver sem se preocupar. Ele é o mundo que você vê, a concha protetora da sua realidade pessoal. Você pode quebrá-la agora e me seguir. Mas as conseqüências virão. Eu posso ser louca, eu posso estar errada ou só ver uma parte da coisa. Maya, lembra? É uma chance única na sua vida. Sua sanidade pode estar em risco. Eu posso estar errada... Mas quem vai escolher é você.

Mais segundos bem colocados por Claire. Espaços ínfimos de eternidade plantados dentro do coração de Justin. Ele debatia consigo mesmo e via todos os riscos. Ele estava ficando louco? Ela já havia dito que não antes mas era Maya, era a visão dela, não estava certa nem errada e ele nunca poderia saber se tinha enlouquecido também. Ela chamava o bom senso de errado! Mas o que havia de tão estranho nisso? O bom senso e o comedimento são o que são, ele não devia formar uma opinião antes de...TENTAR! A vida era curta demais, o mundo grande demais ele não podia e não iria ficar preso. Se fosse sofrer, sofreria! Mas estaria fazendo o que ele queria, não esconderia marcas do que ele realmente era nem se limitaria a um universo pequeno. Ele não queria. Não era Inspirador...e, como Claire dizia e agora ele acreditava, a vida era inspiração.

- E então, quer continuar ou prefere parar por aqui e voltar a sua antiga vida "sã"?

- Claire, você sabe que eu não posso mais parar... Você me conhece e sabia desde o começo. Você simplesmente Sabia, não é? Como sabia o que eu estava pensando eu não sei, mas tenho certeza que sabia.

Justin nunca havia visto um sorriso tão belo dado por Claire. Ela acendia um cigarro e gargalhava abraçando-o e beijando sua testa. Justin ria também. Contaminado por sua alegria. Tomando fôlego ela volta a frente dele e, depois de uma tragada, responde:

- O tempo não é como o relógio manda. Nunca se esqueça de Maya. Eu não sabia, eu apenas via assim. Verdade ou não nunca poderia saber, só sabia que deveria agir como fosse minha vontade, deveria ser livre. Eu não consigo ler mentes como você pensa, apenas sinto e vejo a aura de seus sentimentos. Você vai entender quando for a hora.

- Assim como uma criança que quer aprender álgebra. Eu entendo. Maya...

local original: Page of Mirrors
nome original: Uma noite de lições: A Casca Realidade
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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