Adeptos 1.0


Aviso: Mago: A Ascensão é um jogo. É um jogo sobre temas maduros e questões complexas. O material à seguir tem relação com este jogo. Como tal, ele não requer apenas imaginação, mas também bom senso. O bom senso diz que as palavras de um jogo imaginário não são reais. O bom senso diz que as pessoas não devem tentar realizar "feitiços mágicos" baseadas em uma criação totalmente derivada da imaginação de outra pessoa. O bom senso diz que você não deve tentar desvendar agentes do sobrenatural com inspiração em uma obra completamente fictícia. O bom senso diz que jogos são apenas para se divertir e quando eles acabam, é hora de colocá-los de lado.
Se você perceber que está distante do bom senso, desligue seu computador, afaste-se calmamente e procure ajuda profissional.
Para o restante de vocês, aproveitem as irrestritas possibilidades de sua imaginação.


RECKONING DAEMON SISOP
MESSAGE SENT BY: $@|\|þ AT 19:58, 11/22/00, TUESDAY
SUBJECT: Paradigma da Tradição: Adeptos [pq diabos eu fico tanto tempo na frente do pc? Perguntas e respostas para aprendizes]

O que é um adepto da virtualidade? Sabe, essa é uma pergunta comum para os iniciantes na tradição e sua resposta é muitas vezes algo que mesmo os outros magos do conselho não conseguem formular corretamente. Quem vê a nossa maestria com a tecnologia da computação e nosso tino por anarquia pode, sem saber, fazer muitas suposições erradas. O adepto é, acima de qualquer coisa, alguém que reconhece o poder por trás da realidade, a verdade indelével que, no final das contas, todo o nosso mundo não passa de informação. O universo é informação e isso faz um adepto: O conhecimento dessa verdade. Não são os computadores, a atitude ou qualquer outra baboseira que tentem colocar na sua cabeça garoto. Basta andar algum tempo por ai e você vai perceber que tem mais na tradição do que Laptops e anarquistas, dos músicos aos Hackers o que liga todos os adeptos é a habilidade de penetrar na verdadeira natureza da realidade. De entender que tudo não passa de informação.

Certo, de onde nós tiramos essa conclusão? Bem isso é algo que você JÁ DEVERIA SABER. Mas tudo bem porque a tia Aliah hoje ta feliz e vai explicar pros jovens e cada vez mais preguiçosos padawans que entram pra tradição tudo aquilo que eles já deveriam saber.

Informação: Para entender a informação como os adeptos a identificam basta pensar sobre a natureza que nos cerca. Todo o mundo é formado pela interpretação dada pelos nossos sentidos a diversos estímulos. A cor não existe a não ser pela interpretação dos olhos de freqüências de onda e variações na luz, cheiros e texturas são igualmente ilusões criadas pelo estímulo dos sentidos. As características que consideramos como reais são apenas ilusões criadas por nossos cérebros. O mundo depende dos sentidos e da capacidade de interpretar informação que um ser possui para se expressar e, dependendo do receptor, esse mundo se expressa de formas diferentes. O mundo de um cão, cujo principal sentido é o olfato, é diferente de um homem cujo sentido dominante é a visão. Nós vemos uma paisagem visual que localiza objetos e pessoas pela forma com que a luz se altera ao entrar em contato com diferentes substâncias à diferentes distâncias já o cão está acostumado a um mundo totalmente alienígena à uma mente humana, cheiros e sons são predominantes formando os caminhos principais pelos quais o animal entende o universo a sua volta. Num exemplo simples, caso um homem fosse procurar por alguém poderia vê-lo a distância e rastrear suas pegadas porquanto um cão seguiria sinais olfativos e cheiros assim como poderia tentar ouvir a direção da qual vem sons da pessoa rastreada. A informação sobre a localização da pessoa é interpretada diferentemente pelos sentidos de ambos que montam um quadro, um mundo, onde podem atuar.

A verdade da informação como elemento da realidade se revela num termo físico conforme entramos mais e mais dentro da estrutura da matéria. A organização das moléculas dá diferentes características a uma substância, assim como o mesmo se dá nas moléculas quando olhamos seu arranjo atômico e nos átomos quando enfocamos sua estrutura subatômica. Quanto mais profundo vamos dentro da infinidade interior de algo nos deparamos com partículas menores e menores que terminarão por definirem o universo e as características apresentadas pelas substâncias pela sua presença ou ausência em determinada sequência, Analogamente aos estados de ligado e desligado, sim e não conhecidos nos computadores binários. A matéria é o código para a informação que ela contém. A linguagem de baixo nível subatômica cresce em direção aos comandos mais eficazes moleculares e as complexas interações de substâncias. A vida é formada pela mesma matéria inerte posta em complexas equações equilibradas. Em última análise, o que é o DNA senão um banco de dados sobre o que nos faz Humanos?

Viver é interpretar informações. Os estímulos que recebemos, muitas vezes nem sequer conscientes, geram reações físicas mentais e comportamentais. Traumas de infância, gostos pessoais, religião e tendências físicas são o processamento de informação em plena ação no organismo. Você está sujeito a um inconsciente que dita muitas de suas ações e comportamentos baseado numa reação a experiências passadas. Aptidões e fraquezas são leituras por parte do corpo de seu código genético que, muitas vezes alterado pela ação de substâncias, pode gerar má formações ou doenças. E essas substâncias, como visto anteriormente, têm propriedades construídas apenas a partir de seu arranjo molecular.

A interpretação da informação feita pela consciência é o padrão delineador da realidade, isso também se prova porquanto ilusões e pensamentos "inconscientes", normalmente considerados fantasiosos e irreais, se provam verdadeiros para as pessoas afetadas. Fobias, psicoses e diversos distúrbios mentais são tangíveis e podem mesmo matar um ser, tal é o poder da informação contida no subconsciente. A realidade e poder do inconsciente humano foi mostrado de forma patente à ciência pela psicologia, e o que é a mente senão um processador?

Existe um padrão dentro da realidade, um conceito que se repete e é revelado a nós, seres conscientes e simbólicos. A natureza humana é ligada com a informação de forma irreversível, o processo do pensamento é um processamento de informação e a vida é esse processo em ação. A maioria das pessoas entra em contato com esse conceito primordial do universo e nem mesmo se apercebe. Apenas por sermos capazes de classificar e de entender o mundo a nossa volta nos achamos donos e criadores do conhecimento que adquirimos, mas a verdade está no fato que o mundo todo é um código e a informação por trás desse código existe como elemento individual separado do seu objeto transmissor (ou de seu produto final, como alguns discutem). Não é porque demos um símbolo ao número 1 que a unidade foi nossa invenção. O mundo classificado é na verdade uma cópia do mundo real, um cenário imaginado pela mente humana onde a informação universal foi dada palavras e língua, todo conhecimento humano é isso, uma criação copiada da realidade perceptível.

Nós adeptos conhecemos essa realidade, a verdade que, dentro da mais íntima natureza do universo existe a informação que é transcrita, processada e analisada em diversas formas, do instinto pré programado dos animais às correntes marinhas e a gravidade. O que nos diferencia dos homens normais, dos adormecidos é que despertamos e, no ato de despertar, ampliamos nossos sentidos para poder tocar e manipular essa informação que forma a base do universo. Nós processamos essa informação sempre mutante com nossa tecnologia desperta e tornamos o mundo um lugar melhor.

Muitas tradições pensam que não existe uma mágika adepta, eles pensam, erroneamente, que somos limitados ao ciberespaço e que, como as convenções Tecnocratas, permanecemos presos à rígida ciência estática. Mas é um ledo engano tirar essas conclusões. Os adeptos podem, e fazem, alterações que fariam tecnomantes ficarem confusos e procurando explicações por milênios. A ciência é um catálogo de uma percepção limitada da realidade, é um catalogo sobre o que os adormecidos, na sua realidade estática, podem fazer. Nós adeptos temos uma visão maior, entendemos o mundo e sabemos usar a Tecnologia desperta ao invés da tecnologia adormecida.

Tecnologia: O homem é um ser simbólico acima de tudo. Mas os símbolos por eles mesmos têm poder e, servindo como meios para a informação ser passada, formam a realidade tangível com a qual todos nos acostumamos. Para penetrar na verdade sobre a tecnologia é preciso entender que, assim como a mensagem não é a mesma coisa que a carta, nós adeptos não usamos a tecnologia como a maioria das pessoas e, apesar de termos feito muito dentro do paradigma tecnocrata, a verdadeira ciência da tradição não está exposta nas mãos da maioria das pessoas.

Com a revolução tecnológica das últimas décadas, aos poucos temos visto uma explosão de multimídia e telecomunicações. Computadores tornaram a vida das pessoas mais fácil e a televisão, tal qual o telefone, tem criado um mundo cada vez menor. Com celulares o espaço tem sido quebrado e com câmeras e equipamentos de gravação digital a matéria tem perdido o sentido. A tecnologia eletrônica tem criado um mundo dentro do mundo, um universo diferente e paralelo que reflete a verdade existente na realidade. A maioria dos adormecidos atualmente está intimamente ligada à possibilidade de uma múltipla existência com seu eu recebendo informações tanto do mundo real quanto do digital. Sabemos que vamos enfrentar transito pela tv antes mesmo de estarmos no lugar e conversamos com pessoas do outro lado do planeta com a mesma naturalidade que estando elas presentes apesar de apenas termos um computador a nossa frente. Textos e livros guardam mundos e cenários que, apesar de descreverem a realidade são construções simbólicas que passaram dos limites da imaginação e conhecimento humano. Todo esse universo é uma ilusão habilmente armada, a tela do computador é apenas um conjunto de pontos de luz e eletricidade, o telefone, vibrações repetidas e traduzidas a partir de pulsos elétricos. A telecomunicação é um show de pulsos, ligados e desligados, 1 e 0 e diversos meios de transmissão. A matéria se separa da informação por detrás dela. Mas as telecomunicações são mera tecnologia adormecida, tecnologia que, apesar de refletir o emprego da Tecnologia desperta utilizada pelos adeptos, está presa aos limites atuais do consenso. É uma tecnologia presa ainda aos limites que a mente adormecida dá a interpretação da realidade. Essa tecnologia, nosso legado para o mundo, é a tradução da nossa verdade para uma linguagem mais pobre, uma linguagem limitada por formatos, meios e a habilidade científica e conceitos físicos e químicos impostos pela tecnocracia. Não existe Mágika nessa tecnologia, não existe mágika nela a não ser o poder de, aos poucos, fazer os adormecidos se prepararem para a verdade que se revela em seu interior. A verdade que a multimídia, com os seus dois lados (Informação transmitida e meio de transmissão físico) revela se colocada como modelo para a realidade. A tecnologia adormecida é o que muitos dos nossos colegas entendem como nossa mágika, mas é um conceito errôneo. Enquanto na tecnocracia, antes de penetrarmos na verdade, tínhamos que marcar nossa visão de mundo utilizando a ciência que eles nos oprimiam. Atualmente, livres das amarras do pensamento e percepção limitada dos tecnomantes apenas produzimos essa tecnologia simples como forma de tentar despertar as massas e tornar nossa arte mais aceitável dentro do consenso. Usamos o feitiço contra o feiticeiro lançando contra os tecnocratas suas próprias armas.

Mágika: A mágika está no Despertar. Quando o adormecido 3X4 descobre que existe mais no mundo do que o meio de transmissão e enxerga a informação bruta e pura circulando a sua volta, quando ele descobre que o meio de transmissão é apenas uma ilusão criada a partir de um pensamento limitado e compreensão fraca. Quando ele enxerga as entrelinhas da realidade, então ele está pronto para abrir a nossa caixa de brinquedo, e quando você tem a TECNOLOGIA o céu é o limite. Existe uma diferença entre o usuário e o produtor, entre o consumidor final e o programador, entre alguém que atua e alguém que simplesmente é influenciado. Essa diferença é o adormecido e o desperto. O adormecido pega sua interpretação limitada da realidade e mantém presa a ela toda a sua influência e a influência da informação a sua volta. Analogamente é como se ele soubesse pouco inglês e tentasse usar um programa desconhecido. O esforço máximo que ele poderá realizar não será sombra do que um usuário desperto é capaz. A realidade é informação e sabendo disso o mago desperto penetra no âmago da ilusão que é a realidade e simplesmente lida com a informação em todas as suas formas. Os mundos da multimídia e da telecomunicação se revelam modelos pelos quais a realidade se demonstra e, com um toque das teclas da Tecnologia desperta o adepto desdobra mentes e cria novas ilusões de um mundo maior.

A mágika dos Adeptos é baseada na digitalização e no processamento de dados. A partir do momento que o usuário entra em contato com a realidade por detrás do mundo a tecnologia que ele utiliza se livra dos confinamentos da ignorância, a realidade consensual simplesmente não se aplica passando a ser objeto de atuação ao invés de meio pelo qual a informação passa. Todo o adepto avança dentro dos campos que mais lhe atraem, o gênio que o fez despertar coloca-o entre as mentes mais brilhantes do planeta e assim sendo, essa mesma mente começa a trabalhar diante das novas possibilidades. Câmeras digitais se tornam lentes para qualquer parte do planeta conforme a ilusão do espaço se quebra. Computadores e rastreadores penetram os confins do pensamento conforme a informação pura e bruta pode ser acessada diretamente dos pulsos de um eletroencefalograma. As opiniões quebram conforme as palavras, médiuns da transmissão da informação, carregam sentidos completamente novos através da maestria desperta. Quanto mais longe o adepto chega decifrando o código do mundo através da eletrônica mais ele é capaz de manipular o fluxo e a corrente de informação que ele encontra.

A Tecnologia adepta se difere da tecnocracia e dos Filhos do Éter no seu modo de agir. A tecnologia não é o foco da tradição, a evolução tecnológica não é causada pelo avanço científico propriamente dito. Ao invés de procurar se limitar a catalogar as Leis do mundo físico os adeptos penetram procurando formas de alterar a informação que existe Dentro dessa leis. O mundo não é uma rocha estática como a tecnocracia dita, ele é vibrante e seu íntimo é o que acessamos através de nossas máquinas. O segredo não está em criar novas fórmulas ou procurar formas fazer diferente, o segredo está em perceber que as limitações são apenas informação e que essa é a primeira informação a ser modificada através da percepção desperta. Seja não faça e assim ande pelo fluxo de dados.

A Rede: Esses três primeiros pontos servem de guia para nossa tradição em sua maior parte, existem alguns divergentes, como os Chaoticians, mas o que seria desse mundo sem uma opinião divergente?

Grande parte das pessoas poderiam ler o texto acima e ainda ter dúvidas. Duvidar é algo importante, faz com que você analise melhor a informação que lhe é enviada, mas uma nova comprovação sobre a "doutrina da Informação" foi o motivo principal do fim das amorosas relações que nós tínhamos com a tecnocracia. A descoberta da rede e sua ligação com a realidade 1.0 demonstraram a forma bruta com que a informação pode fluir como constante metafísica e os processos que montam toda a realidade...

se você não sabe o que é a rede, ou a teia digital em outra terminologia, não entendo como diabos conseguiu acessar esse documento. De qualquer forma, como não quero que mais ninguém vire comida do Demonseed Elite ai vai um resumo:
Durante sua meteórica carreira dentro da nossa "convenção" nosso mestre Allan Turing realizou diversos experimentos com realidade virtual e o poder que essa nova mídia poderia representar para a humanidade. Durante a segunda guerra mundial, e um pouco antes disso, nós começamos a ficar um pouco insatisfeitos com a forma que a timetable e todas as outras convenções (ressalvas feitas aos engenheiros do vácuo) tolhiam nossas pesquisas sobre a informação. Revoltosos como somos, na primeira oportunidade nosso grande líder iniciou um trabalho com os Filhos do Éter para criar o primeiro computador ternário. Do tamanho de uma casa ele tinha uma capacidade de processamento risória, mas suficiente para reproduzir em RV um espaço de uma sala. Foi uma grande vitória pra época e um presente para Turing que logo veio com a idéia de reproduzir o computador dentro de sua própria Rv numa rotina para tornar seu processamento ilimitado. A operação era complexa e necessitaria que Allan programasse o computador de dentro da RV e, logo em seguida, saísse. Para encurtar a história: ele não Saiu.

Homens de preto mataram o corpo de Allan enquanto ele estava no computador e isso fez com que ele ficasse preso no processador. Alguns dizem que agora ele está fundido com o Kernel da máquina....quem sabe.

A rede surgiu no exato momento que o computador iniciou a sua rotina de processamento ilimitado. Conforme o looping de expansão andava o computador acessava um reino totalmente novo. Um reino formado de informação e potencial puro. Esse reino, a teia, supostamente seria os restos mortais de um antigo nó telepático de realidade compartilhada usado pelos nossos predecessores Ahl-ih-Batin. Sendo o que for a rede apresentava uma característica que comprovou as suspeitas de nossa convenção. Além de não ter um lado físico processando ou programando-a ela continha absolutamente TODA A INFORMAÇÃO da realidade. Se você procurar bem vai descobrir rodando pela teia coisas que variam de cg animadas à simulações de ecossistemas que foram nunca foram programadas por ninguém. Ao vermos isso demos o pulo do gato. Nossa tecnologia de comunicação e processamento se conectava a rede sem mesmo sabermos. Qualquer aparelho eletrônico parece ter acesso a essa dimensão e compartilhar informações com ela. Ao percebermos essa ligação íntima entendemos o que realmente acontecia. Informação processada era informação duplicada. A teia se tornou nosso playground favorito e, após nossa fuga da tecnocracia, a esperança que nós temos de despertar os adormecidos a nossa volta e lança-los na realidade 2.0. Dentro da teia todos são magos pois, cientes das características intimamente ligadas à programação, qualquer um pode alterar a realidade se souber os comandos. Talvez vivendo num mundo assim algumas pessoas possam perceber que todo o mundo físico também segue o mesmo procedimento.

Bem pequenos padawans, isso é o básico que vocês deveriam saber da nossa tradição. A tia Aliah não gosta de ficar muito tempo em frente a essa tela e os dedos dela já estão doendo por hoje. Leiam o que está escrito, pensem a respeito e não concordem ou discordem de antemão. Grande parte de ser um adepto e principalmente de ser Elite é filtrar a informação que você recebe. Tomar cuidado com os inputs é ser consciente que toda a informação que está a sua volta atua em você de alguma forma.

local original: Page of Mirrors
nome original: Adeptos 1.0
autor(es): Kaworu Naguisa
tradutor(es):

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